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O bebê foi atacado por uma fêmea de jacaré no último dia 23/6, quando
passeava com a babá às margens da Lagoa Grande, em Porangatu, região norte de
Goiás. A mulher teve que praticamente arrancar a criança da boca do
animal para cessar o ataque.
O menino precisou ser
transferido de helicóptero para Goiânia, onde ficou internado no Hospital de
Urgências Governador Otávio Lage (Hugol). Depois de ter o antebraço amputado,
receber cuidados e se recuperar, o bebê recebeu alta médica nesta quinta-feira
(8/7). A mãe do menino, Valdelice Andrade, publicou imagens do momento da saída
da unidade de saúde nas redes sociais.
O pai do garoto, Hudson
Rangel, contou que a família viveu um milagre. Segundo ele, o menino está
clinicamente bem, continua enérgico e já está se adaptando à realização das
atividades com o braço esquerdo. “Antes do acontecimento ele era destro, mas
agora já está fazendo tudo com o braço esquerdo. Graças a Deus está levando as
coisas de forma muito natural. Não houve nenhuma intercorrência, vivemos um
milagre”, relata.
De acordo com Hudson
Hilário, o filho e a família receberam tratamentos excelentes por todas as
unidades de saúde que passaram. Segundo ele, não foi possível salvar o
antebraço da criança em razão da contaminação do ferimento e da grande perda de
sangue. Ele afirma que foi necessária transfusão em dois momentos: durante o
translado de Porangatu para Goiânia e também durante a cirurgia.
“Nós recebemos um tratamento
de excelência. As equipes nos trataram muito bem, fomos muito bem atendidos e,
por enquanto, vamos ficar em Goiânia. Nossa família toda veio para cá
acompanhar a situação. Ainda temos que voltar ao hospital a cada cinco dias
para a troca do curativo, mas, em breve, voltaremos para Porangatu”, disse ele.
Após a cicatrização da
cirurgia, a criança será submetida a sessões de fisioterapia para a recuperação
dos movimentos do braço. “Ele vai ter que reaprender a mexer o braço”, disse o
pai. Otimista, ele informou que futuramente, o filho poderá usar uma prótese de
mão, caso necessário.
“Precisamos ver como será a
cicatrização. Se Deus quiser vai ser tudo bem. Talvez pode precisar de uma
plástica reparadora para colocação da prótese, caso ele queira. Se ele não
quiser, vamos ver como vai ficar”, afirmou Hudson Rangel.
Conforme explicação de
Hudson, os avós e tios do menino se deslocaram de Porangatu para Goiânia, para
dar suporte e apoio aos pais do menino. O núcleo familiar é numeroso, composto
pelos pais, Hudson e Valdelice, e quatro filhos: Lara, Júlia e Alice, e o
pequeno Hudson Filho, popularmente conhecido como “a rapa do tacho”, expressão
popular em Goiás para definir o filho mais novo.
Questionado sobre o apoio
dado à babá da criança, Hudson ressaltou que a relação da família com a mulher
extrapola o âmbito profissional. “Nós temos uma relação familiar. Ela trabalha
conosco há mais de dez anos, é madrinha de uma das minhas filhas. Nós estamos
em contato com ela diariamente”, disse ela.
A babá, que
desvencilhou o menino da boca do jacaré, precisou ser medicada no dia do fato,
pois ficou em estado de choque. De acordo com o pai do garoto, a família está
oferecendo acompanhamento psicológico para a funcionária, que já voltou a
trabalhar.
À época, por meio de nota, a Prefeitura de Porangatu lamentou o incidente e afirmou
que, embora a espécie do réptil não apresente riscos aos humanos, é importante
tomar cuidados e se afastar dos animais. Conforme a Secretaria Municipal de
Turismo e Meio Ambiente (Semma), placas informativas foram solicitadas em maio
deste ano para notificar turistas sobre cuidados com o passeio no local. A
praia da lagoa foi fechada ao público e telas de proteção de pessoas foram
instaladas no local.
“No
planejamento ambiental e no plano de governo, será feita a revitalização da
Lagoa, na qual está incluída a logística do manejo de capivaras e jacarés”, diz
o informe.
Ao portal local de Porangatu, da jornalista Sheilismar Ribeiro (SR),
o médico veterinário Sebastião Júnior explicou que o jacaré pode atacar quando
está chocando, para se alimentar e também para se defender. “Quando a fêmea
está chocando, ela fica com os hormônios exacerbados e ataca para proteger os
ovos e os filhotes. É necessário uma cerca de contenção ou a remoção desses
animais e em casos mais extremos até o abate para evitar mais acidentes”,
pontuou o profissional.
De
acordo com o veterinário, ele já atendeu seis casos de cachorros que foram
atacados por jacarés e, outros três de capivaras. No entanto, esse é o primeiro
caso registrado na cidade de ataque a humanos, situação que chocou a população
do município, já que consideravam o convívio harmônico entre moradores e
animais.
A Polícia Militar de Goiás informou que matou a tiros o jacaré que atacou
um bebê de um ano e oito meses, na Lagoa Grande, em Porangatu, no norte do
estado. Segundo a corporação, um tio da criança foi atacado quando buscava os
pertences do sobrinho que ficaram no lago e gritou por socorro. Uma
viatura da PM passava por perto e desferiu tiros contra o animal.
“Quando
recolhia os objetos, o homem foi atacado pelo jacaré e, ao pedir socorro, foi
atendido pela equipe do 3° Batalhão de Polícia Militar que realizava
patrulhamento pelo local e realizou o abate do animal”, diz um trecho da
ocorrência policial. O jacaré foi morto na noite do dia 24/6.
(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br
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