Um
dia após a rebelião, que deixou nove mortos e 14 feridos na Colônia
Agroindustrial do Regime Semiaberto, no Complexo Prisional
de Aparecida de Goiânia (GO), a situação no estado vizinho parece estar
longe da calmaria. O Sindicato dos Servidores do Sistema de Execução Penal de
Goiás (Sinsep-GO) alerta para a possibilidade de novos motins em outras
unidades prisionais da região. Entre os presídios em risco, segundo a entidade,
estão dois no Entorno do DF: o de Luziânia (GO) e o do Novo Gama (GO).
Segundo
o presidente do sindicato, Maxuell Miranda, na última semana ele havia previsto
a tragédia na penitenciária de Aparecida de Goiânia. “Na quinta-feira (28/12),
dei uma entrevista e disse que rebeliões deveriam ocorrer no regime semiaberto
e na Unidade Prisional de Rio Verde. Na segunda (1º/1), ambos aconteceram”,
diz.
Miranda afirma que, durante o motim na Colônia
Agroindustrial do Regime Semiaberto, os cinco servidores que atuavam
na guarda de 768 presos no local só conseguiram se proteger. Eles não tinham
estrutura necessária para conter a rebelião, na avaliação do sindicalista.
“Eles estavam com pouquíssimo armamento e munições velhas e estragadas.
Enquanto isso, os presos tinham armas de primeira”, afirma.
De acordo com Maxuell Miranda, além dos presídios do Entorno, há
possibilidade de motim na Penitenciária Odenir Guimarães (POG), uma das
integrantes do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Ele destaca que,
nessas unidades, “existem tensões muito grandes por parte dos presos e disputa
entre facções. Devido ao baixo efetivo, os detentos sabem que podem fazer uma
rebelião e vão conseguir fugir”.
Em entrevista coletiva na manhã de terça-feira (2/1), o
superintendente executivo de Administração Penitenciária de Goiás,
tenente-coronel Newton Castilho, admitiu a possibilidade de novas rebeliões e a
existência de armas de fogo em poder de presos da POG. Segundo o gestor, essas
situações estão sendo “monitoradas”.
A desordem em Aparecida de Goiânia ocorreu na tarde de segunda
(1º/1). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Administração
Penitenciária de Goiás (SSPAP-GO), presos do bloco C invadiram os blocos A, B e
D. A motivação dos ataques seria uma rixa entre grupos criminosos. Nove
detentos morreram – sendo dois decapitados e os
demais carbonizados –, 14 ficaram feridos e cerca de 100 continuam
foragidos.
O motim ocorreu exatamente um ano após a rebelião no Complexo
Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Na ocasião, mais de 60 detentos
foram executados em um confronto entre as facções PCC e Família do Norte. O
episódio deu início a uma crise penitenciária nacional, que culminou em
rebeliões em Roraima e no Rio Grande do Norte.
Também no primeiro dia de 2018, as autoridades de Goiás registraram
início de rebeliões em outras duas cidades do estado: Santa Helena e Rio
Verde. Na terça-feira (2/1), dois servidores do sistema penitenciário
foram assassinados a tiros em Anápolis (GO).
Durante entrevista coletiva nesta manhã, o superintendente
executivo de Administração Penitenciária de Goiás, tenente-coronel Newton
Castilho, afirmou que os três motins não têm qualquer relação: “Não foi
estabelecido nenhum tipo de ligação entre as rebeliões ocorridas neste início
do ano”.
(Metrópoles/Foto reprodução/redação JAL)
