Silvia Barros Marinho já temia ex-marido que a matou em atacadista de Goiânia

Silvia Barros Marinho, de 61 anos, assassinada pelo ex-marido Valdinez Borges de Oliveira, de 62, na quinta-feira (24) dentro do atacadista onde trabalhava, já havia bloqueado o agressor nos aplicativos de mensagem desde fevereiro e alertado colegas para evitar qualquer contato com ele. A informação foi confirmada pela delegada Ana Elisa Gomes nesta sexta-feira (25).
“Ela já tinha, inclusive, falado com algumas pessoas do estabelecimento comercial em que trabalhava que não queria que ele tivesse acesso a ela. Para ela não ser chamada”, disse a delegada. Apesar dos cuidados, Silvia e Valdinez se encontraram porque ela estava no balcão de entrada do estabelecimento.

Segundo relatos, o homem pode ter feito ameaças antes do crime. Uma testemunha contou à Polícia Civil que ouviu Valdinez dizer: “Você achou que era brincadeira, né? Então, olha a brincadeira aqui.”
Câmeras de segurança mostram que Silvia e Valdinez conversaram por cerca de cinco minutos na entrada do atacadista. Em seguida, ele deixou o local e Silvia caminhou para um corredor interno do mercado. Pouco depois, Valdinez retornou armado e cometeu o crime.
Funcionários do mercado prestaram depoimento à polícia. Confirmaram que a vítima evitava qualquer tipo de contato com o ex-companheiro, e que o encontro só ocorreu porque ela estava exposta na portaria.

Detalhes do crime
O crime aconteceu na Avenida Perimetral Norte. Valdinez atirou quatro vezes contra Silvia, atingindo-a duas vezes, e depois tirou a própria vida. Eles haviam vivido juntos por 36 anos e estavam separados havia cerca de quatro meses. No momento dos disparos, Silvia conversava com uma funcionária do mercado, que não se feriu.
De acordo com o delegado Carlos Alfama, da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), não havia registros anteriores de violência doméstica nem medidas protetivas contra Valdinez. “Apuramos que ele não aceitava o fim do relacionamento”, declarou.
A pistola usada no crime não pertencia a Valdinez, e a polícia já identificou o proprietário da arma, que deve ser ouvido nos próximos dias.
Velório e enterro
Silvia e Valdinez foram velados no mesmo local e horário: no Cemitério Vale do Cerrado, em Goiânia, na sexta-feira (25). O funeral começou às 5h da manhã, e o enterro ocorreu às 13h30.

O caso de Silvia Barros Marinho é mais um retrato doloroso do feminicídio no Brasil, onde sinais claros de medo e tentativa de afastamento ainda não são suficientes para garantir a segurança de mulheres ameaçadas. Mesmo bloqueado em redes sociais e alertada a rede de apoio mais próxima, Silvia foi vítima da insistência e da violência de quem não aceitou o fim do relacionamento.
A ausência de medidas protetivas oficiais e a facilidade de acesso a armas agravam um cenário que exige ações mais efetivas de prevenção, acolhimento e punição. Histórias como a de Silvia precisam não apenas de indignação, mas de mudança urgente. valdivinodeoliveiraDRT001423/GO foto divulgaçao

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