Questionado sobre “CPF cancelado”, Bolsonaro chama repórter de idiota

Expressão é usada por policiais e grupos de
extermínio em referência a alguém que foi assassinado, geralmente, por um grupo
inimigos

Foto Alan Santos

O
presidente 
Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar profissionais
da imprensa nesta segunda-feira (26/4). Em visita à 
Bahia para inaugurar as obras de duplicação da BR-101, o
mandatário do país chamou uma repórter da TV Aratu de “idiota”, após ser
questionado sobre uma foto em que aparece segurando a placa “CPF cancelado”.

 

A expressão
é usada por policiais e grupos de extermínio em referência a alguém que foi
assassinado, geralmente, por um grupo inimigo. Para os críticos, o presidente
errou ao tirar a fotografia não só por seu cunho violento, mas pelas mais de
390 mil mortes por 
Covid-19 no Brasil.

 

“Você não
tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota”, disse o presidente ao ser
indagado.

 

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia
(Sinjorba) repudiou a agressão do presidente contra Driele. “O Sinjorba
(Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia) lamenta mais uma
vez ter que emitir nota para criticar o comportamento do presidente da
República, Jair Bolsonaro. Mas não pode deixar de manifestar seu repúdio ao
xingamento proferido por ele contra a jornalista Driele Veiga, da TV Aratu,
chamada de “idiota” somente por estar exercendo seu ofício que é entrevistar
aquele investido em cargo público”, diz trecho da nota.

 

Para o presidente da entidade, Moacy Neves, o xingamento revela o “traço
imaturo e autoritário de Bolsonaro, que não consegue conviver com a crítica,
com o contraditório, com a diferença e nem com a obrigação de conceder
entrevistas e responder às perguntas dos jornalistas, principalmente se do
outro lado estiver uma mulher.”.

 

“É comum que pessoas imaturas e políticos autoritários ajam com
grosseria, falta de educação e violência quando confrontados com seus erros e
irresponsabilidades, aumentando o grau de irracionalidade quando se tratar de
um homem e do outro lado estiverem as mulheres”, diz ele.

 

 

Para Moacy, o presidente Jair Bolsonaro mostra ser “totalmente
despreparado” para exercer cargo público. “A maior autoridade do país não pode
incentivar desrespeito aos direitos humanos e nem agir com grosseria com a
imprensa, que é os olhos e a forma de comunicação entre os poderes e a
sociedade”, diz o sindicalista. Ele lembra que a agressão se soma a outras
ocorridas ao longo de pouco mais de dois anos de mandato, marcados por agressões
dele e de seus seguidores aos profissionais do jornalismo e radialismo.

 

 

 

 

 

 

(BN) www.jornalaguaslindas.com.br

 

 

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