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A
declaração foi dada após o lançamento do Plano Nacional de
Expansão da Testagem Para o novo Coronavírus, em Natal (RN).
“Eu
não sei por que tanta polêmica. O Reino Unido, que tem um dos maiores sistemas
de saúde do mundo, fez isso. Aí ficam com essa cortina de fumaça
desnecessária”, assinalou o cardiologista.
A polêmica começou na manhã de quinta-feira (16/9), quando o
Ministério da Saúde publicou nota técnica orientando que estados e municípios
interrompessem a vacinação de jovens de 12 a 17 anos sem comorbidades.
Como justificativa, o órgão mencionou que a maioria dos
adolescentes sem comorbidades acometidos pela Covid-19 demonstra evolução
“benigna” e permanece assintomática.
Além
disso, segundo a secretária Extraordinária de Atenção à Covid-19, Rosana Leite
de Melo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda a imunização de
crianças e adolescentes, com ou sem comorbidades.
Na
tarde de quinta, em coletiva de imprensa na sede da pasta, Queiroga afirmou,
ainda, que diversos estados e
municípios não estão seguindo as orientações do Programa Nacional de
Imunizações (PNI) para a vacinação de jovens.
O
ministro também usou a morte de um morador de
São Bernardo do Campo, de 16 anos, vacinado com a Pfizer, como
justificativa para a suspensão. Não há, no entanto, evidências de que o caso
tenha relação com a vacina.
“Diante do evento adverso, da necessidade de ter
segurança e de oferecer às mães brasileiras segurança para seus filhos, o
Ministério da Saúde decidiu suspender o subgrupo sem comorbidades, enquanto se
avalia de uma maneira mais detalhada”, pontuou, nesta sexta-feira.
Após a publicação da nota técnica, órgãos e autoridades de
saúde se manifestaram contra a decisão do governo federal. Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
apontou que “não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações nas
condições aprovadas para a vacina”.
Os conselhos nacionais de secretários estaduais e municipais
de saúde (Conass e Conasems) também se manifestaram contrários à decisão do
Ministério da Saúde.
“Ao implementar unilateralmente decisões sem respaldo
técnico e científico, coloca-se em risco a principal ação de controle da
pandemia. Apesar de a vacinação ter levado a uma significativa redução de casos
e óbitos, o Brasil ainda apresenta situação epidemiológica distante do que pode
ser considerado como confortável, em razão do surgimento de novas variantes”,
registra a nota.
Nesta
sexta-feira, a Sociedade Brasileira de
Infectologia (SBI) publicou nota solicitando a retomada da vacinação de
adolescentes sem comorbidades.
“Esperamos que o Ministério da Saúde reconsidere seu
posicionamento, especialmente considerando a inexistência de evidências
científicas contrárias ao uso da vacina Pfizer/BioNTech em adolescentes e a fundamental importância de
vacinarmos o maior número possível de brasileiros com a maior rapidez”, destaca
trecho do documento.
(Metrópoles)
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