PT define agenda de pré-campanha de Lula à Presidência

Foto: Ricardo Suckert

Dois dias antes da votação que vai definir a permanência ou não do
presidente Michel Temer no cargo, a cúpula do PT e o ex-presidente Luiz Inácio
Lula se reuniram nesta segunda-feira (31/7) para definir detalhes sobre a
pré-campanha do petista rumo às eleições de 2018. A definição sobre a
estratégia do partido para a votação sobre a denúncia contra Temer na Câmara
ficou para amanhã, quando a Executiva e a bancada do PT vão se reunir em
Brasília.

Com a presença da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e do
próprio Lula, o partido definiu uma agenda extensa que começa sexta-feira, em
almoço com religiosos e comerciantes da Zona Sul de São Paulo, tradicional
reduto petista, e vai até dezembro, no mínimo, com atos na Grande São Paulo,
longas caravanas pelas regiões Nordeste, Sul e pelos Estados de São Paulo e
Minas Gerais.

Além disso o PT lançou nesta segunda-feira o projeto Brasil em
Movimento, composto por ciclos de debates e plataforma digital participativa,
que pretende ser o embrião do programa de governo de Lula para 2018.

Lula e a cúpula petista fecharam o trajeto da aguardada viagem de Lula
pelo Nordeste. A caravana parte de Feira de Santana (BA) no dia 17 de agosto e
vai passar por 28 cidades dos nove Estados nordestinos. O ponto final é São
Luís (MA), provavelmente no dia 7 de setembro.

Por decisão de Lula, o trajeto será feito todo de ônibus, sem uso de
helicóptero ou avião. Segundo participantes da reunião, Lula exigiu apenas não
ficar hospedado na casa de correligionários. “Não quero tirar a cama de nenhuma
criança. Durmo até em pensãozinha, mas não quero ficar em casa de
companheiros”, disse Lula.

A ideia é escolher eventos e cidades onde tenha alguma realização dos
governos petistas e, assim, resgatar para o eleitorado o legado do
ex-presidente. A última caravana de Lula pela região foi em 1993, segundo o
ex-ministro Gilberto Carvalho Na ocasião o petista refez o caminho entre
Garanhuns (PE) e São Paulo, percorrido pela primeira vez quando tinha cinco
anos.

Até o dia 8 de setembro o ex-presidente deve estar de volta em São
Paulo. No dia 13, Lula, condenado a nove anos de prisão no caso do triplex do
Guarujá, presta depoimento ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, sobre o sítio
usado por ele e sua família em Atibaia.

A cúpula petista prevê outras três caravanas até o final deste ano. A
primeira delas pela região Sul e as outras duas por Minas Gerais e São Paulo.

A agenda foi definida em reunião entre Gleisi, Lula, presidentes dos
diretórios petistas estaduais e das capitais, além de integrantes da Executiva
e deputados, entre eles o líder do PT na Câmara, Carlos Zaratini (PT-SP). Na
reunião, dirigentes das regiões Norte e Centro-Oeste também cobraram caravanas
com Lula

“Por isso estamos pensando em estender as caravanas até março do ano que
vem”, disse Gleisi.

O coordenador das agendas, Marcio Macedo, um dos vice-presidentes do PT,
negou que o objetivo das viagens seja eleitoral. “Ele vai conversar com as pessoas
sobre a realidade do país. E levar esperança”, disse o dirigente petista.

O PT também abriu ontem as discussões sobre o programa de governo para
2018. O projeto Brasil em Movimento, coordenado pelo presidente da Fundação
Perseu Abramo (FPA), Marcio Pochmann, professor da Unicamp, pretende recolher
sugestões em três níveis. O primeiro, dos chamados “sábios”, prevê a
participação de acadêmicos, gestores públicos, especialistas e políticos em
geral. O segundo nível inclui setores organizados da esquerda que estão fora
dos partidos políticos como movimentos por moradia, mobilidade, igualdade
racial etc. O terceiro nível será uma plataforma digital onde qualquer pessoa
poderá fazer sugestões.

“Queremos que isso vá além da candidatura de Lula em 2018”, disse
Joaquim Soriano, dirigente da FPA.

O deputado José Guimarães (PT-CE), secretário de Relações Institucionais
da sigla, definiu o pacote pré-eleitoral petista como uma tentativa de
“reiniciar o caminho com novas ideias e novas propostas para Lula governar o
Brasil”.

Durante a reunião, dirigentes lembraram que a conjuntura hoje é muito
diferente de 1993, quando o PT não era alvo de uma avalanche de denúncias e
Lula não havia sido condenado por corrupção.

(Metrópoles/redação JAL)

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