PSDB lança documento que sugere revisão do acesso dos ricos a serviços públicos



A pouco menos
de um ano das eleições, o PSDB lança esta tarde um roteiro do
que seria seu governo, caso vença o pleito presidencial de 2018. No texto, os
tucanos falam de “fim dos privilégios” e citam como valores o
“desenvolvimento econômico” e a “igualdade de oportunidades”,
com “sensibilidade social”. Num capítulo exclusivamente dedicado a
falar “contra os privilégios”, as diretrizes partidárias sugerem a
revisão do acesso dos ricos a serviços públicos.

“O capitalismo de compadrio tem que acabar. A
concessão de subsídios, renúncias fiscais,desonerações e benefícios tributários
requer regras amplamente debatidas com a sociedade, e isso vale para todo o
orçamento público! Em particular, o acesso dos mais ricos a serviços públicos
gratuitos precisa ser reavaliado.”

Embora não cite o atual governo, assolado por
denúncias de corrupção, o documento — intitulado “Gente em primeiro lugar:
O Brasil que queremos” — diz que o PSDB não irá tolerar a falta de ética.
“A atividade pública não pode servir ao enriquecimento pessoal, mas
somente ao bem comum. Não compactuaremos com a corrupção, a desonestidade, a
falta de ética, os desmandos”, diz o texto.

O documento é lançado um dia depois que o partido
resolveu tentar pacificar as rusgas internas com o aviso de que o governador de
São Paulo, Geraldo Alckmin, assumirá a dupla função de ser o candidato do
partido à Presidência da República e o candidato único para presidir a legenda,
a partir do mês que vem.

Formulado pelo Instituto Teotônio Vilela, o texto
agradou parte dos deputados que ficaram conhecidos como cabeças pretas, que
pregam há seis meses o rompimento com o governo. Embora apoiassem a candidatura
à presidência do partido do senador Tasso Jereissatti, alguns veem com bons
olhos o lançamento de hoje, já sob a notícia de que será Alckmin o novo
presidente do partido. O texto ataca em diversos momentos a cultura dos
privilégios e chega a chama de “engrenagem perversa” o fatos de
alguns terem mais chances do que outros.

O próprio Tasso, no entanto, minimizou a
importância do documento. O senador disse que as novas diretrizes do PSDB devem
ser discutidas e definidas na convenção nacional de dezembro, junto com o novo
estatuto e código de ética.

— Não conheço e nem me interesso em conhecer. Vai
vir aí uma nova administração, um novo estatuto, um novo código de ética. Esse
documento ficou velho, caducou — criticou Tasso.

Na área social, o texto cita programas
implementados pelos dois governo de Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa
Escola e o Saúde da Família. E pontua que o Estado deve ter um “ativo
braço social” para dar condições dignas de vida aos mais pobres. Nesse
sentido, o roteiro de um novo governo tucano condena “os danos”
causados pela “malversação do dinheiro público”. E sugere que haja
uma reforma tributária que taxe a renda e “salvaguarde” os mais
pobres.

Os tucanos também defendem a redução do número de
ministérios, cargos e órgãos para aumentar a qualidade da prestação dos
serviços. E dizem que novas contratações públicas, só por meio de concursos, e
quando necessárias.

No quesito segurança pública, o texto diz que cabe
ao governo federal assumir a responsabilidade no combate à violência. Os
tucanos sugerem que haja uma reforma no sistema prisional visando à
reintegração dos presos à sociedade após serem soltos.

O PSDB também procura se diferenciar do governo
peemedebista na questão ambiental. Para se contrapor às críticas ferrenhas dos
ambientalistas à atual gestão, os tucanos dizem que combaterão o aquecimento
global.

(O Globo/Foto: Marcos
Alves/redação JAL)

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