Produtores rurais de Brazlândia recebem fossas sépticas

Foto: Gabriel Jabur

Para garantir saneamento básico e a
qualidade dos alimentos cultivados, produtores rurais de Brazlândia estão
instalando fossas sépticas nas propriedades. Até outubro deste ano, serão
distribuídos 56 conjuntos na região.

Outros 50 sistemas atenderão
agricultores do Programa de Assentamento do Distrito Federal (Pad-DF) e outros
dez núcleos rurais. Os equipamentos foram adquiridos pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural por meio de emenda parlamentar distrital, no
valor de R$ 200 mil.

As fossas sépticas filtram resíduos de
esgoto doméstico e evitam que o solo e o lençol freático sejam contaminados.
Essa tecnologia permite um porcentual de filtragem de 80%.

Além disso, favorece o reuso da água
para irrigação de cultivos sem contato direto com o solo, como as frutíferas.
Nesse caso, a própria planta se encarrega de filtrar os 20% restantes do processo.

O equipamento é formado por uma caixa
de inspeção, duas bombas — uma fossa e um filtro bacteriológico — e um
sumidouro, todos enterrados.

A caixa de inspeção facilita o
acompanhamento do sistema, uma vez que, em caso de vazamento, o agricultor terá
que cavar pouco a terra para perceber o problema.

Na cova seguinte, de 3 metros por 2 de
profundidade, ficam as bombas. Na primeira, o esgoto passa pelo processo de
separação entre parte sólida e água. Os rejeitos ficam no fundo do
reservatório, e a água segue para a segunda bomba.

Nela, o líquido passa por filtros em
formato de cânulas. Dentro deles, vivem colônias de bactérias que se alimentam
da matéria orgânica dissolvida na água. Após consumirem o material, a água é
filtrada e oxigenada.

Na terceira etapa, a água filtrada
segue para o sumidouro, uma cova de 1,5 metro por 3 de profundidade, preenchida
com restos de construção civil e pneus. Esse material faz com que a parede não
desmorone e a água se infiltre no solo devagar.

“É um sistema fechado e, por isso, não
provoca mal cheiro”, explica a agrônoma Lara Line Pereira de Souza, gerente de
Boas Práticas Agropecuárias da Secretaria da Agricultura, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural.

Além disso, a água chega totalmente
limpa aos aquíferos, porque o processo de filtragem segue no solo. Se o
produtor quiser, pode fazer uma saída do sumidouro para o sistema de irrigação
por gotejamento. Essa alternativa, no entanto, não se aplica a hortaliças ou
verduras.

As fossas sépticas atendem uma família
com seis a dez integrantes. A manutenção do sistema é feita de dois em dois
anos. “Mas temos relatos de fossas com cinco anos de instalação e que não
ficaram cheias ainda”, diz Lara.

Na primeira etapa de instalação dos
equipamentos, foram escolhidos os agricultores familiares que participam
de 
programas de venda direta para o governo de Brasília, como o de Aquisição de Alimentos (PAA) e o de Aquisição da Produção da Agricultura (Papa-DF).

As ações estão integradas ao Alimenta Brasília, iniciativa
lançada em 12 de julho. O mapeamento é feito em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão
Rural do Distrito Federal (Emater-DF).

É o caso de José de Assis da Silva, 59
anos, produtor de morangos na região da Chapadinha, em Brazlândia. Ele faz
parte de um dos 10 núcleos familiares já contemplados pela doação.

Há 10 anos na propriedade, Silva aderiu
à fossa séptica por uma questão de consciência ambiental. “Não é o mais fácil,
mas é o ecológico e o certo. Agora não vai ter mais risco de contaminação”,
conta.

A propriedade, onde mora com a mãe,
Maria dos Santos Silva, receberá o conjunto de fossas. Para isso, foram
construídas caixas de gordura para armazenar o líquido cinza eliminado pela pia
da cozinha. “Agora não vai ter mais aquela água malcheirosa escorrendo pelo
quintal”, afirma.

Para ter acesso ao sistema, é
necessária também a apresentação de documentos como:

– Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP)

– Relação de Beneficiários ao Programa de
Reforma Agrária (RB)

– Relação de Beneficiários do Programa de
Assentamento de Trabalhadores Rurais (PRAT)

– Declaração de Produtor Rural Familiar
emitida pela Emater-DF

Outro fator de escolha foi a adesão dos
produtores ao programa de Boas
Práticas Agropecuárias — Brasília Qualidade no Campo. A iniciativa foi
criada em 25 de julho de 2016, por meio da 
Resolução nº 3, e prevê o uso de
recursos do Fundo de Desenvolvimento Rural do Distrito Federal para melhorias
nas propriedades participantes.

O recurso pode ser aplicado na compra
de maquinário, de veículos utilitários e de implementos agrícolas. Desde a
criação da medida, 180 agricultores já se cadastraram. A meta é envolver pelo
menos 900 produtores.

Convênio firmado entre a pasta da
Agricultura e a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) prevê a aquisição de
materiais e instalação de mais 125 conjuntos de fossas sépticas, que serão
distribuídas para propriedades rurais inseridas no Brasília Qualidade no Campo.

A compra das fossas sépticas foi feita
pela secretaria em razão do custo de aquisição. “Se o produtor fosse comprar
por conta própria, pagaria cerca de R$ 3,5 mil. Como compramos em lote, elas
saíram a R$ 2,5 mil”, conta a gerente de Boas Práticas Agropecuárias.

A contrapartida do produtor é a
aquisição de material para o sumidouro e a mão-de-obra. A pasta tem também
emprestado maquinário para a construção das covas.

(Agência Brasília/redação JAL)

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