Prefeito de Monte Mor (SP) expulsa moradores de rua alegando que a cidade não pode “virar um lixo”

No vídeo, o prefeito afirma que,
na quinta-feira (15), mandou fazer seis viagens transportando os sem-teto

Foto José Cruz

O prefeito
de Monte Mor, Edivaldo Brischi (PTB), no interior de São Paulo, afirmou que não
deixará o município “virar um lixo” ao justificar a medida de remover moradores
de rua do centro da cidade, em carros da prefeitura. O destino, segundo a
prefeitura, seria para cidades de origem das pessoas -não foram confirmadas
quais seriam elas nem quantos atingidos. Um dos grupos buscou a polícia após
afirmar ter sido levado à força para outro município. “Eu vou mostrar como se
governa uma cidade. Fiquem bravo comigo. Podem ficar, mas agora tem prefeito
nessa cidade”, disse Brischi, em um vídeo gravado por ele e publicado em redes
sociais.

 

No vídeo, o prefeito afirma
que, na quinta-feira (15), mandou fazer seis viagens transportando os sem-teto.
Citou as cidades de Rio das Pedras, Bauru, Campinas, São Paulo e Orquídeas.
Disse ainda que nesta sexta (16) haveria mais duas viagens -para Itararé e São
Rafael. “Preciso cuidar da minha cidade. Pessoas do bem me ajudem! Me apoiem!
Tem muita gente metendo o lôco (sic) no Edivaldo. O lôco (sic) no prefeito. Só
que eu não aguento mais essa situação. Eu não posso ver minha cidade virar um
lixo”, disse o prefeito.

 

Apesar de dizer que o
destino dos sem-teto seria a cidade de origem, um grupo (seis homens e duas
mulheres) registrou queixa na Polícia Civil de Boituva, a 85 km de Monte Mor.
Segundo o registro, eles afirmaram que foram levados para a cidade contra a
vontade deles. “Eles disseram que foram colocados numa van e trazidos para cá,
sem o consentimento deles. Na verdade, eles disseram que nem sabiam para onde
estavam sendo levados”, afirmou o delegado em Boituva, Emerson Martins. O grupo
foi encaminhado para o serviço de assistência do município. Um inquérito foi
aberto para apurar a prática do crime de constrangimento ilegal. O caso ainda
pode ser denunciado ao Ministério Público.

 

O prefeito Edivaldo Brischi
diz que já tentou buscar alternativas para os moradores de rua na cidade, mas
não teve sucesso. “Eu tenho uma grande preocupação. A gente fez um trabalho com
eles; levou eles (sic) pra morar em alguns lugares. Teve gente que foi ser
caseiro e o que aconteceu? Eles voltaram pra rua. E por que voltaram? Porque
eles já têm o benefício deles. Todos eles têm benefício e a maioria da
população fica sustentando eles com marmita”, afirmou o prefeito. “Quem vai
querer trabalhar se tem a pinga deles? A marmita deles? Se vocês quiserem
ajudar alguém, que ajude um pai de família que acorda às 5 horas da manhã, às 4
horas da manhã”, disse.

 

Segundo o prefeito,
moradores de rua provocam vandalismo -garante que quebraram os banheiros públicos
instalados na rodoviária- e que seriam responsáveis por atos obscenos
praticados em locais públicos. A Prefeitura de Monte Mor se pronunciou por meio
de nota, no início da tarde desta sexta. “Sobre a transferência em questão
(para Boituva), vale ressaltar que só ocorreu após ser oferecida a
possibilidade de retornarem para suas cidades de origem. Sendo assim, a
transferência somente ocorreu para aqueles moradores que concordaram.”

 

Segundo a nota, o município
diz que ainda não foi contatado pela Prefeitura de Boituva nem pelo Ministério
Público, e que os que ficavam próximos ao terminal rodoviário estavam sendo
acompanhados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, desde o
início do ano, “com todo o trabalho específico de praxe, incluindo triagem e
abordagem social”.

 

Algumas
medidas de gestões municipais com moradores de rua já se tornaram polêmicas em
outras cidades. Em fevereiro, a Prefeitura de São Paulo instalou pedras debaixo
de um viaduto no bairro Tatuapé para evitar a concentração de sem-teto. As
pedras foram removidas, após protestos -o padre Júlio Lancelotti quebrou a
marretadas parte delas. Depois do episódio, uma favela surgiu no local.

 

 

 

 

(J.Br) www.jornalaguaslindas.com.br

 

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