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De acordo com a consultoria LCA, a
maior alta neste ano continuará sendo no preço da carne de boi (17,6%), seguida
da de porco (15,1%) e de frango (11,8%). Alternativa às carnes, o valor do ovo
de galinha também deve subir (7,6%). Já a Associação Brasileira de
Supermercados (Abras) prevê um aumento nos preços do frango entre 10% e 15% já
no fim de julho e início de agosto.
Essas previsões
chegam num momento de queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que
já reclamou em público do reajuste dos preços da carne, do arroz, do gás de
cozinha e dos combustíveis.
Segundo o presidente da Associação
Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, as razões para o aumento
da carne bovina diferem dos motivos para as outras proteínas. Enquanto os
produtores de gado tiveram redução na produção e maior exportação, a culpa pelo
preço maior do frango, do porco e dos ovos recai sobre os insumos para a
criação dos animais.
De acordo com dados da Embrapa, os
custos de produção em geral subiram 52,30%, para o frango, e 47,53%, para os suínos,
nos últimos 12 meses. Matérias-primas para a ração, o milho teve alta de preços
de 68,8% em 2020, enquanto a soja ficou 79,4% mais cara no atacado. As
projeções para 2021 são de aumento de 39,8%, para o milho, e de 7,2%, para a
soja.
Os produtores alegam que a única saída
é o repasse dos custos para os preços ao longo da cadeia, até chegar às
gôndolas dos supermercados. Santin explica que, até agora, os frangos
comercializados na ponta foram criados, por exemplo, com o milho vendido a R$
50 a saca – valor que disparou para R$ 90 nos últimos meses.
“Há um prazo de produção até chegar às
prateleiras, agora que estão começando a chegar os frangos que estão comendo o
milho mais caro. As empresas terão de repassar o preço ou, então, quebram”,
completou.
De acordo com o vice-presidente da
Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Márcio Milan, em junho de 2020
as famílias gastavam em média R$ 36,62 por mês com o consumo de frango. Com o
aumento do preço do produto e a substituição da carne bovina, o gasto passou
para R$ 43,95 no mês passado.
“Há uma tendência de alta daqui para
frente, mas esse aumento para chegar à ponta vai depender dos níveis de estoque
de cada empresa. Os supermercados vão negociar exaustivamente os preços. Quando
não conseguirem negociar mais, vão repassar para o consumidor”, afirma.
Com o orçamento pressionado pela alta
de preços dos alimentos, combustíveis e energia elétrica, entre outros itens,
muitos brasileiros têm alterado a lista de compras. O pesquisador Thiago
Bernardino de Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada
(Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), afirma que os cortes bovinos, mais
caros, são trocados pela carne suína e pelo frango. No fim da cadeia de trocas,
está o ovo de galinha. “O ovo é o destaque, porque é mais barato, só que a
demanda está mais aquecida, e o custo de produção também subiu”, completa.
Milan, da Abras, aconselha que os
consumidores reforcem as pesquisas de preço e façam substituições, quando for
possível. “Além disso, recomendamos comprar a quantidade necessária, não fazer
estoque, porque, se todo mundo sair comprando, aumenta a demanda, e o preço
sobe ainda mais.”
(Estadão) www.jornalaguaslindas.com.br
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