Polícia Civil desarticula grupo criminoso que traficava travestis para prostituição

A Polícia Civil do Distrito
Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (26), uma operação contra uma
organização criminosa de tráfico interestadual de pessoas para exploração
sexual. O grupo recrutava travestis de outros estados brasileiros para trabalhar
no DF com prostituição.

A ação foi batizada de Operação
Império e é coordenada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por
Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra Pessoa Idosa
ou com Deficiência (Decrin). São cumpridos 11 mandados de prisão preventiva; 18
de busca e apreensão; cinco de busca a apreensão de veículos e várias conduções
coercitivas.

O grupo criminoso era administrado
também por travestis. As vítimas se tornavam dependentes do esquema porque já
chegavam à capital com dívidas, que eram crescentes, e trabalhavam para
pagá-las.

De acordo com as investigações,
iniciadas em janeiro deste ano a partir de relatos de travestis, o grupo
criminoso praticava crimes graves na região de Taguatinga, como extorsão,
homicídio, roubo, ameaça, lesão corporal e uso ilegal da medicina, tráfico de
drogas, tráfico de pessoas, rufianismo, redução à condição análoga a de escravo
e favorecimento da prostituição.

“As vítimas dessa organização
criminosa prostituíam-se nas proximidades de uma fábrica de bebidas de
Taguatinga. Elas eram extorquidas e obrigadas a pagar diárias pelo uso do ponto
ou mesmo em residir em casas pertencentes aos líderes do grupo, mediante o
pagamento de diária, visando enriquecer a associação criminosa por meio da
exploração da prostituição”, conta a delegada-chefe adjunta da Decrin,
Elisabete Maria de Morais.

Em janeiro deste ano, um grupo de
travestis matou 
Ágatha Lios, de 23
anos, dentro de um depósito dos Correios. A travesti foi assassinada com
dezenas de facadas, enquanto tentava fugir de suas algozes. Em julho, a Polícia
Civil conseguiu prender duas envolvidas, enquanto as outras duas permanecem
foragidas.

O crime ocorreu à luz do dia, em
26 de janeiro. Funcionários dos Correios aparecem nas imagens registradas por
uma câmera de segurança e parecem ficar sem reação diante do ocorrido. É
possível ver ainda um homem de camisa clara que parece tentar impedir o crime. Depois
de esfaquear a vítima, o grupo aparece fugindo.

Segundo a polícia, Ágatha foi
morta porque era considerada bonita demais por suas inimigas. “Além disso,
algumas semanas antes, teve uma discussão da Ágatha com umas das autoras. Na
briga, a Ágatha só ameaçou. Mas, no meio delas, se você ameaça e não cumpre,
você morre. Além disso, tem a disputa por clientes e pontos”, explicou a
delegada Gláucia Cristina da Silva à época.

(J.Br/Foto: bbc.com/redação JAL)

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