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Na gravação,
publicada em abril do ano passado, um objeto semelhante a uma pistola aparece
sobre a bancada de um móvel localizado no quarto do soldado Henrique Harrison. O
armamento foi devolvido para o Comando-Geral da PMDF.
O militar é gay assumido e foi notificado sobre a decisão na véspera do
casamento civil com o companheiro, Jadson Lima. Os dois estão juntos há cinco
meses.
A justificativa para o recolhimento da arma do soldado está
expressa no artigo 3º da portaria da sindicância instaurada para apurar a
conduta do militar. “Portar arma de fogo institucional em atividade estranha ao
serviço policial militar”, diz a norma que embasou a decisão assinada pelo
capitão Georgio Lemos Oliveira, do 27º BPM, encarregado da apuração dos fatos.
Henrique explicou que postou um vídeo “para incentivar pessoas a
passarem pela jornada que passei” na carreira militar. Na gravação, aparece uma
arma na bancada da casa do PM. “Ninguém perguntou se era a minha arma ou um
simulacro, por exemplo. Mas, no caso da pessoa que me ameaçou, ela não perdeu o
porte de arma. Policiais o tempo todo postam vídeos limpando a arma,
manuseando-as em casa, e nenhum é punido. Por que apenas eu tenho de ser
punido?”, ponderou.
Para o
soldado, sua orientação sexual pode ter sido o que motivou a abertura do
processo de sindicância interna, mesmo após ele ter sido apontado como policial
destaque do batalhão em que está lotado.
“Eu sei que é uma perseguição por causa da minha orientação sexual, e eu
recebo isso na véspera do meu casamento. Eu amo estar na Polícia Militar, posto
fotos em todos os lugares mostrando como sou feliz na profissão que escolhi, mas
realmente é muito difícil trabalhar num lugar em que muitas pessoas estão
tentando te colocar para correr”, desabafou. “Eu não faço nada de errado nas
minhas ocorrências, fui policial destaque no batalhão em que trabalho. Estão
buscando qualquer coisa para me punir”, completou o PM.
Em nota, a
PMDF informou que, “em relação ao soldado Harrison, este teve a cautela do
armamento da corporação suspensa por determinação da Corregedoria da PMDF, por
contrariar o previsto no Termo de Responsabilidade que ele mesmo assinou quando
da transferência da guarda do armamento”.
Além disso, a corporação alegou que “o encarregado do procedimento de
sindicância, cumpriu o determinado na portaria de instauração tão logo se
mostrou possível, não havendo qualquer relação com as atividades da vida
privada do soldado Harrison, que não teve o seu porte de arma suspenso.
Portanto, ele poderá portar uma arma de fogo de sua propriedade normalmente,
bem como armamentos da corporação durante o período de serviço. A sindicância
instaurada diz respeito tão somente à exposição indevida do armamento em um
vídeo público em seu perfil pessoal”.
(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br
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