A inflação registrada em agosto no Distrito Federal foi a maior do
país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). O índice (IPCA) chegou a 0,45% contra 0,19% da
média nacional. O grande vilão e responsável pela alta na
capital federal foi a gasolina, com aumento de 12,26% apenas em um mês.
E a pressão sobre o bolso dos brasilienses na hora de abastecer o carro
continua. Apenas nesta semana, o preço passou de R$ 3,89 para até R$ 4,29 nos
principais postos da cidade, para pagamento à vista. No acumulado do
ano, o DF apresenta inflação acumulada de 1,96% contra 1,62% da nacional. Nos
últimos 12 meses, o IPCA foi de 3,99% diante dos 2,46% do restante do país.
O aumento no valor cobrado na bomba teve início após a correção do
imposto PIS/Cofins sobre os produtos, anunciado pelo governo federal em julho.
Atualmente, os preços praticados ultrapassam itens de uma cesta básica,
como um quilo de arroz agulinha, vendido a R$ 3,35 e um quilo de feijão
carioca, por R$ 3,49.
Todos os consumidores são unânimes em reclamar dos aumentos, que
consideram abusivos. “Gasto R$ 300 para encher o tanque e não dá nem para
uma semana. Aumenta muito, o bolso sente e não há como prever”,
desabafou Ronei Luiz dos Santos, motorista de 50 anos.
“Estão sem lógica esses aumentos. Não sei como os postos têm calculado
para aumentar e diminuir os preços. Fico indignado porque sobe e diminui
repentinamente”, questionou Cauê Martins, empresário de 29 anos. “Estou
achando absurdo esses preços. Está puxado mesmo. A sorte é que meu carro é
econômico”, comentou Leandro Araújo, 25 anos, técnico de áudio e vídeo
Os consecutivos aumentos no preço dos combustíveis vêm frustrando
os brasilienses, que comemoravam o fim do cartel e a queda drástica dos preços
na bomba nos últimos meses. A capital federal, que já teve o valor mais caro
para o litro da gasolina, estava entre as três mais baratas do país até julho.
A pressão no orçamento dos moradores do DF que têm carro ocorreu
também em função de mudanças frequentes nos preços praticados pela
Petrobras nas refinarias. Até o mês de junho, a revisão dos valores ocorria, geralmente,
uma vez por mês. Com a nova política, no entanto, essas mudanças passaram a ser
feitas quase diariamente.
Os consumidores reclamam, ainda, da volta do cartel no
setor. Em dezembro de 2015, uma operação da Polícia Federal, batizada de Dubai,
desmontou um esquema de combinação de preços entre os postos no DF. À
época, donos e funcionários das principais redes atuantes na região foram
detidos.
Segundo as
investigações, o grupo se organizava para elevar o valor da gasolina em 20%
para os consumidores. Além disso, aumentava o preço do álcool para inviabilizar
o consumo do combustível nos postos da capital.
Após a operação, a Cascol, responsável por mais de um quarto dos postos
de combustíveis do DF, ficou sob intervenção do Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade) durante um ano. Em abril, a empresa assinou acordo no
qual se comprometia a pagar multa de R$ 148,7 milhões por cartel e a cessar a prática
anticompetitiva.
(J.Br/Foto: Michael
Melo/redação JAL)
