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São três
denúncias recentes e uma pilha de acusações contra um dos mais conhecidos
líderes religiosos da capital goiana ao longo de vários anos. “Crime de
estupro, crime de importunação sexual. Tem também a posse sexual mediante
fraude, tem crime de ameaça, crime de lesão corporal, porque ele batia nas
vítimas”, enumera a defensora pública Gabriela Hamdan.
O pastor Esney
Martins da Costa é o chefe da igreja Renascendo para Cristo, cuja sede fica em
um bairro de classe média alta de Goiânia. Vazia depois das denúncias, a
igreja sempre foi movimentada. O pastor se apresentava aos fiéis como um
intérprete da vontade de deus. Foi com esse discurso que ele conseguiu molestar
uma das vítimas.
“Ele falava
que era para o meu crescimento espiritual, que era pra eu crescer na vida. Ele
às vezes confunde até a mente da gente em acreditar que o que ele faz vem de
Deus”.
Ela ainda
disse que ao contar ao pastor que tinha sido abusada sexualmente quando era
criança, ele insistiu ainda mais: “Você vai ter que passar pela ferida para ser
curada. E aí eu fiquei: ‘meu Deus, eu vou ter que ser molestada de novo para
ser curada de um trauma que eu fui na infância?’ Então isso não me deixava
dormir”, relembra.
Para a segunda
vítima, o mesmo argumento. “Falava que eu era lésbica e que precisava de
tratamento, tratamento de Deus. Na época eu trabalhava, tinha um emprego muito
bom. E ele disse que eu tinha que sair do emprego e depender de Deus. Ele
falava que minha família não prestava e que eu tinha que me afastar da
família”, revela.
As denúncias
que chegaram à Defensoria Pública foram encaminhadas à Delegacia da
Mulher. Para a polícia, a importunação sexual mediante fraude já está
comprovada.
A terceira
vítima ouvida pela polícia é uma jovem de 16 anos, que também viveu momentos de
terror. Os abusos só foram descobertos quando a mãe viu o celular da filha e a
adolescente acabou falando.
“Todas as
vezes que ela ia, ela chegava em casa chorando e se mutilava – as pernas, as
costas. E eu comecei a desconfiar. Foi um choque. Quando eu vi aquilo, o meu
mundo desabou. Eu morri ali. Eu me sinto culpada, eu me sinto culpada de tudo,
mas eu também fui vítima disso tudo. Ele me enganou!”, lamenta a mãe dela.
Em nota, a
advogada do pastor disse que ele já foi ouvido pela Delegacia da Mulher e que
prestou todas as informações solicitadas; disse também que ele se coloca à
disposição da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente, onde foi aberto o
inquérito da jovem, para esclarecer quaisquer denúncias; que o pastor está
colaborando com as investigações e que as denúncias não tratam de fatos
praticados com violência ou grave ameaça; e conclui dizendo que a defesa confia
nas instituições no sentido de garantirem lisura e imparcialidade.
(G1) www.jornalaguaslindas.com.br
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