Pai é suspeito de obrigar filhos a trabalho escravo além de agressão física e psicológica

arte reproduzida

Os cinco filhos de Antônia Basílica do Rosário,
de 30 anos, estão em abrigos sociais recebendo conforto e alimentação
necessários. Os irmãos de 9, 12 e 13 anos, estão em uma casa em Santa Maria
(DF), onde foram levados por um casal que mora na região na quarta-feira (02).
Já os meninos de 4 e 6 anos estão em um abrigo social em Formosa (GO), depois
de serem recolhidos pelo Conselho Tutelar nesta quinta-feira (03).
O pai dos três mais novos e padrasto dos outros,
Faustino Felício dos Santos, de 46 anos, é suspeito de obrigar os meninos a
trabalho escravo, além de agredir físico e psicologicamente.

A mulher afirmou que acredita na versão relatada
pelos filhos, mas contou que nunca viu os filhos sendo agredidos ou torturados.
“Se aconteceu alguma coisa foi debaixo dos meus olhos. Chegou até a mim só agora.
O Faustino sempre foi uma pessoa normal pra mim”, argumenta. A mãe nega também
qualquer violência contra ela.

Questionado sobre a hipótese de que os meninos
eram obrigados a fazer trabalho escravo, Antônia disse que as crianças ajudavam
com pequenas coisas em casa. “Os serviços que ele pedia para os meninos fazer
eram coisas simples como varrer o quintal e ajudar a fazer a cerca”, conta a
mulher. Além disso, ela questiona a atitude tomada por Patrícia e José* (nomes
fictícios), de terem pego as crianças sem avisar. “Ela não poderia ter feito
isso. Ela tinha que ter conversado comigo, ter levado lá em 
casa”, diz.  

Antônia sentiu a falta dos três irmãos mais
velhos por volta das 2h, da madrugada de quarta-feira (02). “Eu fiquei andando
no meio do mato atrás dos meus filhos. Eu não ia voltar para casa enquanto eu
não encontrasse. Até recebi uma mensagem depois dizendo que meus filhos tinham
sido pegos por uma mulher, mas eu continuei procurando”, afirma.

Depois de ter o conhecimento do ocorrido, o
Conselho Tutelar de Formosa foi até o assentamento verificar a denúncia. Eu
entrei em contato com o conselheiro Hessley ontem de manhã. Pedi o relatório
para ele e desde então a gente trabalhou para conseguir chegar até a mãe e o
pai das crianças”, conta o conselheiro tutelar de Formosa, Camilton Santos da
Fonseca.

Para o conselheiro, não há como negar a situação
de vulnerabilidade que as crianças viviam. “A situação é crítica na casa dela.
A casa é de lona, não tinha cama adequada para dormir, estava sujo”, aponta. No
entanto, sobre as agressões, Camilton informa que o pai negou tudo, enquanto
ele fazia a visita para recolher as crianças de 4 e 6 anos. “Ele questionou
como estava explorando os meninos, se eles ficavam meio período na escola”,
relembra.

Faustino teria, inclusive, relatado que tudo não
se passa de uma briga entre moradores do assentamento. “Ele comentou que
estavam colocando os filhos dele contra ele por conta de uma briga com o
presidente da associação de lá. Que o presidente estava cobrando uma dívida de
dois mil reais”, conta o conselheiro Camilton.

O conselheiro tutelar vai encaminhar o relatório
de que os dois meninos mais novos já estão em um abrigo social em Formosa e que
lá na Vara da Infância e Juventude  eles devem procurar outros familiares
para ficar com as crianças.

(J.Br/redação JAL)

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