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Os
investigadores tiveram conhecimento do fato por meio da denúncia de um servidor
da Secretaria de Saúde de Goiás.
O homem informou que trabalha na Superintendência de Vigilância
em Saúde do Estado de Goiás e esteve presente na primeira
operação realizada na clínica, de cunho sanitário, em 22 agosto de 2019. Ele
afirmou que após os fiscais constatarem diversas irregularidades foi feito um
termo de intimação para que os problemas fossem corrigidos.
Ao
voltar ao instituto, na quarta-feira (24/2), o servidor constatou mais
problemas. Entre eles: ausência de um responsável técnico, medicação sem
receituário, inexistência de alvará sanitário e falta de vistoria do Corpo de
Bombeiros.
Os residentes revelaram aos agentes de
saúde que não podiam sair do local por vontade própria. Também afirmaram que
sofriam tortura psicológica. Foram apreendidos diversos tipos de medicamentos,
sendo alguns deles caracterizados como potentes sedativos. As famílias pagavam
mensalidade de R$ 900 por paciente.
Um
homem contou aos investigadores que só podia ligar para a família uma vez por
semana. Ele também revelou ter sido ameaçado e que os funcionários diziam que
iriam lavá-lo para outra clínica, “onde o filho chorava e a mãe não via”.
Conforme o paciente acrescentou, os responsáveis teriam dito que a família não
gostava dele. “Eu pedia para me levarem a uma delegacia e eles mudavam de
assunto, mandavam eu sumir”, contou.
O
homem disse, ainda, que sempre era informado de que estava melhorando, mas se
sentia “aéreo” todos os dias devido à grande quantidade de remédios.
“Lá dentro, eu não sabia de nada o que acontecia no
mundo. Se os internados não andassem na linha, do jeito que eles queriam, eram
ameaçados. Fui xingado de noiado, marginal. Nunca
roubei nem usei drogas. As ameaças ocorriam até na hora do lanche”, disse. A
testemunha contou que os pacientes que tentavam fugir eram pegos e castigados
com socos. Também relatou que o local tinha mofo, sujeita e ratos.
A
1ª Delegacia de Polícia de Valparaíso de Goiás deflagrou,
em 24 de fevereiro, operação para apurar irregularidades em clínicas
terapêuticas de recuperação de usuários de drogas. A ação também teve o apoio
do Ministério Público e da Vigilância Sanitária do estado.
Durante
as diligências, além das irregularidades administrativas que culminaram no
fechamento do estabelecimento, ficou constatado que a clínica impedia os
internos de sair. As principais vítimas afirmaram ter sofrido violência
psicológica e ameaças.
Os envolvidos prestaram depoimento na delegacia. Uma das
vítimas relatou que era constantemente ameaçada e dopada para que não deixasse
o local. Outra informou que não autorizou a própria permanência na clínica
investigada.
Responsável pelo estabelecimento irregular, o pastor não
apresentou nenhum documento que comprove os requisitos legais para a internação
de pacientes. O homem tem ocorrência por crime similar, também referente ao
fechamento de outra comunidade terapêutica.
As
investigações confirmaram o crime de cárcere privado, na modalidade internação
fraudulenta, razão pela qual foi lavrada a prisão em flagrante do pastor,
responsável pela fundação e manutenção da clínica.
(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br
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