O PESO DO VOTO EVANGÉLICO‏

 Postado por Valdivino de Oliveira

 Entrada de Marina Silva – e a escorregada de sua campanha –
levaram temas como aborto e casamento gay para o centro da campanha

 Há uma semana, a equipe da campanha da candidata do PSB à
Presidência, Marina Silva, comemorava na manhã de sábado o resultado da
pesquisa Datafolha, que registrava a meteórica arrancada da ex-senadora, nova
favorita para alcançar o cargo mais poderoso da República. Horas depois, os
mesmos assessores se desdobravam para tentar estancar uma crise que se
espalhava pelas redes sociais à mesma velocidade com que a candidata ascendeu
nas pesquisas. O motivo: o capítulo do programa de governo do PSB que defendia o
casamento gay havia sido alterado. E Marina passou a ser bombardeada dos dois
lados: foi alvo da fúria de pastores evangélicos e de movimentos LGBT
(lésbicas, gays, bissexuais e transexuais).

 Que temas como o casamento gay e a legalização do aborto
sempre aparecem incendiando debates em eleições não é nenhuma novidade para os
eleitores brasileiros – e os assuntos talvez não sejam tão discutidos no país
quanto no período de campanha. Por trás da discussão está o peso da religião na
hora do voto. E a entrada da evangélica Marina Silva, da Assembleia de Deus, na
corrida eleitoral após a trágica morte do cabeça da chapa, Eduardo Campos,
imediatamente levou temas como aborto e casamento gay para o centro da
campanha. Não é possível dimensionar ainda o tamanho real do estrago, mas, dois
dias depois do recuo de Marina com sua cartilha de governo, o instituto
Datafolha estava na rua pesquisando as intenções de voto. O resultado: Marina
caiu de 41% para 39% das intenções de voto entre os evangélicos.

 Apesar do desgaste pela mudança de posição, coordenadores e
aliados de Marina avaliam que a decisão fez mais bem do que mal à trajetória
eleitoral dela: os evangélicos representam 22% dos votos brasileiros. E essa
faixa do eleitorado tende a um alinhamento natural à candidatura de Marina.
Prova disso foi que sua entrada na corrida presidencial desidratou justamente o
candidato oficial das igrejas, que leva o “pastor” no nome: Pastor
Everaldo, do Partido Social Cristão, o PSC. “Pastor Everaldo chegou com grande
potencial de polarizar nossos votos, mas a propositura da Marina foi mais
ampla, juntou a bandeira da família com o contexto social e político do
momento”, diz o bispo Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra, no
Distrito Federal, onde a candidata do PSB lidera as pesquisas de intenções de
votos com 33%, ante 23% de Dilma Rousseff, segundo o Datafolha.

 A influência nas eleições de bandeiras defendidas pelos
evangélicos é reflexo da própria expansão da religião no país. Segundo o último
Censo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE),
em 2010, os seguidores representam 22,2% da população, percentual que aumentou
61% em relação à década anterior – em 2000, eram 9%.

 Os evangélicos também têm forte presença no Congresso Nacional,
em comparação aos católicos, religião da maioria dos brasileiros. Nos meios de
comunicação, a busca dos pastores começou nos anos 1980 como uma forma de
conquistar concessões de rádio e televisão. Atualmente, o Congresso possui 73
deputados e senadores evangélicos – a meta para este ano é que o número chegue
a cem cadeiras. Desde 1986, a cada pleito, o número de parlamentares cresce
20%. Neste ano, a bancada evangélica emplacou o primeiro representante no
Executivo: o bispo Marcelo Crivella (PRB), sobrinho de Edir Macedo, líder da
Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) – ele deixou o cargo de ministro da
Pesca para concorrer ao governo do Rio de Janeiro.

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