A Polícia Civil e o Ministério Público investigam,
desde setembro do ano passado, a atuação da Máfia das Próteses no DF. As
apurações revelaram de que médicos forjavam a necessidade de cirurgias em
pacientes para dar golpes em planos de saúde. Além disso, usariam próteses e
órteses mais baratas do que as descritas nos laudos para lucrar com o esquema.
Na primeira fase da operação, foram presas 13 pessoas envolvidas com a
prática criminosa. Também foram apreendidos mais de R$ 500 mil na ação. De
acordo com a polícia, o esquema envolvendo cirurgias desnecessárias,
superfaturamento de equipamentos, troca fraudulenta de próteses e uso de
material vencido em pacientes é milionário. Na Justiça, 17 acusados de integrar
a máfia já são réus em uma ação que os acusa de organização criminosa.
Damasceno é um deles.
A denúncia, assinada pelos promotores Maurício Miranda e Luiz
Henrique Ishihara, é apenas a primeira etapa da apresentação
de uma série de crimes que o Ministério Público do DF e Territórios
(MPDFT) fará à Justiça. “Serão oferecidas ainda muitas denúncias pelos crimes
de estelionato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, lesão corporal
e crime contra a saúde. Mas os fatos serão individualizados, de acordo com a
atuação de cada um”, afirma o promotor Maurício Miranda.
Em outubro de 2016, o alvo da segunda fase da Mr. Hyde foi o
Hospital Daher. Segundo as investigações, o dono da unidade de saúde, José Carlos Daher, teria
participação ativa no esquema. O MPDFT chegou a pedir a prisão
temporária dele por suspeita de destruição de provas, mas a solicitação foi
negada pela Justiça. No entanto, o empresário de 71 anos chegou a ser detido
por posse ilegal de uma pistola de uso restrito do Exército e das polícias
Federal e Militar.
Na terceira fase da Mr. Hyde, a polícia prendeu o médico Fabiano Duarte
Dutra por suspeita de atear fogo em documentos que poderiam servir como
provas. Após a prisão, ele foi exonerado do cargo de Coordenador de Ortopedia
da Secretaria de Saúde do DF. Na época, a pasta informou não haver indícios de
que as práticas ilegais também ocorressem na rede pública.
O Metrópoles procurou os advogados de defesa do médico
Rogério Damasceno. Em um primeiro contato, a advogada Jaeni Azevedo solicitou
que as perguntas fossem enviadas por e-mail. Ao receber os questionamentos na
última quinta-feira (8/6), ela informou que não teria tempo hábil
para respondê-los. Todos os demais citados nesta reportagem negaram, na época
das denúncias, quaisquer irregularidades.
(Conteúdo metrópoles/redação JAL)
