Marina anuncia apoio a Aécio

 Segundo turno: Marina anuncia apoio a Aécio

ANTES DE FAZER O ANÚNCIO, MARINA AGRADECEU “A DEUS E AO
POVO BRASILEIRO”

 A ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, que disputou a
Presidência pelo PSB, anunciou neste domingo, 12, em São Paulo, que vai apoiar
no segundo turno o candidato do PSDB, Aécio Neves. “Alternância de poder
fará bem ao Brasil”, disse. “Aécio retoma o fio da meada virtuoso e
corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula
em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo
diálogo com os setores produtivos.” …

 Antes de fazer o anúncio, Marina agradeceu “a Deus e ao
povo brasileiro”. Ela obteve 22.176.619 votos (ou 21,32% dos válidos) no
primeiro turno e ficou em terceiro lugar, atrás de Dilma Rousseff (PT) e Aécio.

 Leia a íntegra do texto lido por Marina:

 Ontem, em Recife, o candidato Aécio Neves apresentou o
documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento
Sustentável”.

 Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento
como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação.

 Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim,
em busca de apoio.

 Seria um amesquinhamento dos propósitos manifestados por
Aécio imaginar que eles se dirigem a uma pessoa e não aos cidadãos e cidadãs
brasileiros.

 E seria um equívoco absoluto e uma ofensa imaginar que me
tomo por detentora de poderes que são do povo ou que poderia vir a ser
individualmente destinatária de promessas ou compromissos.

 Os compromissos explicitados e assinados por Aécio tem como
única destinatária a nação e a ela deve ser dada satisfação sobre seu
cumprimento.

 E é apenas nessa condição que os avaliei para orientar minha
posição neste segundo turno das eleições presidenciais.

 Estamos vivendo nestas eleições uma experiência intensa dos
desafios da política.

 Para mim eles começaram há um ano, quando fiz com Eduardo
Campos a aliança que nos trouxe até aqui.

 Pela primeira vez, a coligação de partidos se dava
exclusivamente por meio de um programa, colocando as soluções para o país acima
dos interesses específicos de cada um.

 Em curto espaço de tempo, e sofrendo os ataques destrutivos
de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo
poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática.

 Os partidos de nossa aliança tomaram suas decisões e as
anunciaram.

 Hoje estou diante de minha decisão como cidadã e como parte
do debate que está estabelecido na sociedade brasileira.

 Me posicionarei.

 Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito ser o
melhor para o Brasil, do que me tornar prisioneira do labirinto da defesa do
meu interesse próprio, onde todos os caminhos e portas que percorresse e
passasse, só me levariam ao abismo de meus interesses pessoais.

 A política para mim não pode ser apenas, como diz Bauman, a
arte de prometer as mesmas coisas.

 Parodiando-o, eu digo que não pode ser a arte de fazer as
mesmas coisas.

 Ou seja, as velhas alianças pragmáticas, desqualificadas,
sem o suporte de um programa a partir do qual dialogar com a nação.

 Vejo no documento assinado por Aécio mais um elo no
encadeamento de momentos históricos que fizeram bem ao Brasil e construíram a
plataforma sobre a qual nos erguemos nas últimas décadas.

 Ao final da presidência de Fernando Henrique Cardoso, a
sociedade brasileira demonstrou que queria a alternância de poder, mas não a
perda da estabilidade econômica.

 E isso foi inequivocamente acatado pelo então candidato da
oposição, Lula, num reconhecimento do mérito de seu antecessor e de que
precisaria dessas conquistas para levar adiante o seu projeto de governo.

 Agora, novamente, temos um momento em que a alternância de
poder fará bem ao Brasil, e o que precisa ser reafirmado é o caminho dos
avanços sociais, mas com gestão competente do Estado e com estabilidade
econômica, agora abalada com a volta da inflação e a insegurança trazida pelo
desmantelamento de importantes instituições públicas.

 Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente
manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que
assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os
setores produtivos.

 Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta
aos brasileiros, intitulada: “Juntos pela democracia, a inclusão social e o
desenvolvimento sustentável”.

 Destaco os compromissos que me parecem cruciais na carta de
Aécio:

 O respeito aos valores democráticos, a ampliação dos espaços
de exercício da democracia e o resgate das instituições de Estado.

 A valorização da diversidade sociocultural brasileira e o
combate a toda forma de discriminação.

 A reforma política, a começar pelo fim da reeleição para
cargos executivos, que tem sido fonte de corrupção e mau uso das instituições
de Estado.

 Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação
da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das
redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes,
não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser
preservados.

 Compromissos sociais avançados com a Educação, a Saúde, a
Reforma Agrária.[

 Prevenção frente a vulnerabilidade da juventude, rejeitando
a prevalência da ótica da punição.

 Lei para o Bolsa Família, transformando-o em programa de
Estado

 Compromissos socioambientais de desmatamento zero, políticas
corretas de Unidades de Conservação, trato adequado da questão energética, com
diversificação de fontes e geração distribuída.

 Inédita determinação de preparar o país para enfrentar as
mudanças climáticas e fazer a transição para uma economia de baixo carbono,
assumindo protagonismo global nessa área.

 Manutenção das conquistas e compromisso de assegurar os
direitos indígenas, de comunidades quilombolas e outras populações
tradicionais. Manutenção da prerrogativa do Poder Executivo na demarcação de
Terras indígenas

 Compromissos com as bases constitucionais da federação,
fortalecendo estados e municípios e colocando o desenvolvimento regional como
eixo central da discussão do Pacto Federativo.

 Finalmente, destaco e apoio o apelo à união do Brasil e à
busca de consenso para construir uma sociedade mais justa, democrática, decente
e sustentável.

 Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base
sobre a qual o pais pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu
futuro.

 É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que
saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os
temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranqüilidade para
debatê-los tendo como horizonte o bem comum.

 Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e
na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que
dividem o Brasil.

 O preço a pagar por isso é muito caro: é a estagnação do
Brasil, com a retirada da ética das relações políticas.

 É a substituição da diversidade pelo estigma, é a
substituição da identidade nacional pela identidade partidária raivosa e
vingativa.

 É ferir de morte a democracia.

 Chegou o momento de interromper esse caminho suicida e
apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos
interesses do pais e do bem comum.

 É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos
assumidos por Aécio Neves, declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.

 Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos,
dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu
partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir
que sejam cumpridos.

 Faço esta declaração como cidadã brasileira independente que
continuará livre e coerentemente, suas lutas e batalhas no caminho que escolheu.

 Não estou com isso fazendo nenhum acordo ou aliança para
governar.

 O que me move é minha consciência e assumo a
responsabilidade pelas minhas escolhas.

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