Mãe reencontrou seu filho um dia antes de morrer

Núbia Cerqueira Dantas de
Oliveira, 40 anos, ficou sem notícias do filho por quatro anos. Após pouco mais
de 24 horas do esperado reencontro, novamente ela viu o rapaz partir. Brenner
Ezequiel Cerqueira Dantas, 21, morreu na madrugada de sexta-feira passada, no
Hospital Regional de Ceilândia (HRC). Agora, a batalha é conseguir levar o
corpo do jovem à cidade onde ele cresceu, Anápolis (GO). Já são três dias de
tentativas.

“Só volto com ele. Não tem jeito”, afirma a
mãe. Núbia está na casa de parentes, em Águas Lindas (GO), até resolver toda a
burocracia para, enfim, enterrar o filho e se despedir.

O corpo de Brenner está no IML
do DF devido às pendências na identificação do rapaz, que permaneceu mais de
três meses internado como indigente. A família foi chamada para um novo
reconhecimento e confirmou que o jovem com tatuagem no braço direito escrita
“Faiska”, e outra na perna direita, com o desenho de uma carpa, é Brenner.

 “As características são iguais. Ele tinha uma
quelóide no joelho e uma cicatriz no pé, de quando se machucou ainda criança. É
ele. Não tenho dúvida”, alega Núbia Cerqueira.

A
vida dessa mãe deu uma reviravolta no início da semana passada, quando parentes
de São Paulo compartilharam com ela uma publicação nas redes sociais dizendo
que o jovem, que estava internado no Hospital de Ceilândia, sem identificação,
poderia ser Brenner. “Eu sentia que meu filho não estava morto. Se eu soubesse
que ele estava tão perto…”, lamenta.

Ela
o viu pela última vez em 27 de outubro de 2013, um domingo, quando o jovem
tinha 17 anos. Dois dias depois, mãe e filho conversaram por telefone. Núbia ficou
sabendo que o rapaz estava na Praça do Ancião, em Anápolis, e pediu para que
ele saísse de lá e fosse para a casa dele ou para a dela, pois Brenner havia se
mudado da casa dos pais para morar com um colega. No entanto, ele não apareceu
em nenhum dos dois lugares nem foi mais visto.

O
jovem teria se envolvido com amizades ruins e dizia estar sendo perseguido na
cidade, por isso precisaria se mudar. Depois de um tempo sem contato, Núbia
registrou ocorrência e passou a procurá-lo em municípios próximos, mas não
conseguiu resultado.

Brenner
estava no Hospital de Ceilândia desde 23 de maio, depois de passar pela UTI do
Hospital de Base. Ele foi encontrado pelo Samu com sinais de agressão e
politraumatismo na cabeça e na face. A Secretaria de Saúde divulgou o caso à imprensa na tentativa de
encontrar familiares do jovem.

“Esperei
quatro anos para ficar com ele por 24 horas”, diz Núbia, ao lembrar do momento
que viu o filho na cama do HRC. Ao chegar ao hospital, na tarde do dia 6, ela
não tinha dúvidas. O rapaz que estava ali, mais magro e ferido, era Brenner
Ezequiel Cerqueira Dantas, agora com 21 anos. “Eu o reconheci e ele me
reconheceu. Comecei a gritar no hospital ‘meu filho, meu filho’. Eu tinha
encontrado”, diz a mãe, sorridente.

Sem
conseguir falar devido à traqueostomia, Brenner confirmava o que a mãe
perguntava com piscadas. No feriado da Independência, ele recebeu visita de
todos os parentes de Anápolis, animados com a volta do rapaz ao seio familiar.

Porém,
essa alegria não durou muito tempo. Por volta das 4h do dia 8, Núbia tocou no
filho e percebeu que ele estava gelado e não respirava. Chamou os médicos, mas
não foi possível fazer mais nada. O motivo de suas orações e esperanças nos
últimos quatro anos tinha partido uma segunda vez. Agora, sem possibilidade de
reencontro.

Para
Núbia, o filho a esperou para morrer e por isso o fim desta história teria sido
feliz. “Ele estava muito ferido e não se movia, mas eu o queria mesmo que ele
ficasse assim”, afirma. A mãe espera poder enterrar o filho no máximo amanhã,
para dar mais tranquilidade a seu coração.

(J.Br/Foto: John Stan/redação JAL)

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