Lula é interrogado por Moro na sede da Justiça Federal em Curitiba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou
por volta das 13h50 desta quarta-feira (10/5) à sede da Justiça Federal, em
Curitiba, onde presta, pela primeira vez, depoimento ao juiz Sérgio Moro, no
âmbito da Operação Lava Jato. O petista é interrogado na condição de
réu.

Lula chegou sob forte esquema de segurança. Somente em volta do prédio
da Justiça Federal, há 400 policiais. Alguns deles estão posicionados em cima
dos prédios. O depoimento começou às 14h10. Desde então, o petista está
falando. Os celulares foram deixados do lado de fora por determinação do
magistrado que conduz as investigações da Lava Jato na 13ª Vara Federal.

Após desembarcar em Curitiba, Lula ficou cerca de 40 minutos com deputados,
senadores e lideranças do movimento social em um hangar do aeroporto. Segundo o
ex-presidente do PT-DF e atual coordenador da Liderança do partido no
Senado, Wilmar Lacerda, Lula estava tranquilo e afirmou que, depois dos mais de
70 depoimentos agendados nesta fase, provará a sua inocência.

Wilmar disse ainda que a presidente cassada Dilma
Rousseff, deputados, senadores e lideranças sociais seguirão para a Praça
Santos Andrade, no centro de Curitiba, onde estão os apoiadores do
ex-presidente. Há a possibilidade de o próprio Lula seguir para lá após o
depoimento ao juiz Sérgio Moro.

Acusação

O petista é acusado pela Procuradoria da República, em Curitiba, de receber R$
3,7 milhões em propinas da construtora OAS. Responde por crimes de
corrupção e lavagem de dinheiro — pena prevista de até 22 anos de prisão, se
condenado. A ampliação, reforma e decoração de um tríplex, no Guarujá (SP), e o
custeio do armazenamento de bens, de 2011 a 2016, seriam “benesses” dadas ao
petista, em troca de negócios na Petrobras.

Moro deve evitar o confronto com o réu. Como tem feito na maioria dos
interrogatórios, deve advertir o interrogado para evitar falas retóricas ou que
desviem do foco do processo.

WILTON JUNIOR/ESTADÃO
CONTEÚDO

Lula já foi ouvido por Moro, em novembro de 2016, mas como
testemunha de defesa do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, em
outro processo, e por videoconferência. A conversa protocolar durou 9 minutos e
44 segundos.

Recursos negados

Nesta quarta, o ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
negou recurso em que os advogados do petista pediam que Moro fosse
considerado suspeito para julgar ação penal relacionada ao caso triplex no
Guarujá. A decisão põe fim aos três recursos movidos no dia anterior pelos
defensores.

O relator do caso já havia negado dois habeas corpus movidos pela defesa
do ex-presidente. Um deles requeria o direito aos advogados de fazer uma gravação
independente do depoimento de Lula à Justiça Federal. O outro pedia a suspensão
da ação contra o petista para que a defesa analisasse, em até 90 dias, os
documentos da Petrobras. (Com
informações da Agência Estado)

(Márcia Delgado/ Douglas Carvalho)

Últimas notícias