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Luiz Fux (STF) parede ter ficado incomodado com as afirmações do Presidente Bolsonaro

Presidente do Supremo Tribunal Federal fez discurso
respondendo aos ataques do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral e a
ministros

Foto Igo Estrela

O
presidente do Supremo Tribunal Federal (
STF), Luiz Fux, abriu os trabalhos do segundo semestre no Judiciário com
uma discurso em resposta aos ataques que o presidente 
Jair Bolsonaro (sem partido) tem feito à Corte, a ministros
e ao sistema eleitoral brasileiro.

 

Sem citar nominalmente
Bolsonaro, Fux discursou, nesta segunda-feira (2/8), em defesa da harmonia e do
respeito entre os Poderes: “Porém, a harmonia e a independência entre os
Poderes não implicam impunidade de atos que exorbitem o necessário respeito às
instituições”, disse o presidente do Supremo.

 

“Permanecemos atentos aos
ataques de inverdades à honra dos cidadãos que se dedicam à causa pública.
Atitudes como essas deslegitimam veladamente as instituições do país e ferem
não apenas biografias individuais, mas corroem sorrateiramente os valores
democráticos consolidados ao longo de anos pelo suor e pelo sangue dos que
viveram em pro da construção da democracia do nosso país”, declarou Fux,
defendendo, também sem citar o nome, o colega Luís Roberto
Barroso, que preside o Tribunal Superior Eleitoral e tem sido alvo preferencial
de Bolsonaro
.

 

“O Supremo Tribunal Federal,
seja nos momentos de calmaria, seja nos momentos de turbulência, tem cumprido o
seu papel de salvaguardar a Constituição, atuando em prol da estabilidade
institucional da nação, da harmonia entre os poderes e da proteção da
democracia pelo povo e para o povo brasileiro. Numa sociedade democrática,
momentos de crise nos convidam a fortalecer e não deslegitimar a confiança da
sociedade nas instituições”, disse também o presidente do Supremo em seu
discurso.

 

“No contexto atual, após 30
anos de consolidação democrática, o povo brasileiro jamais aceitaria que
qualquer crise, por mais severa, fosse solucionada mediante mecanismos fora dos
limites da Constituição. A história nos ensina: a democracia nos liberta do
obscurantismo, da intolerância e da inverdade, permitindo que possamos exercer
em plenitude a nossa dignidade e as nossas capacidades humanas”, acrescentou.

 

Em tom de advertência, Fux
afirmou que “a democracia é o exercício da liberdade com responsabilidade” e
lembrou que “não há nada automático, natural ou perpétuo. O regime democrático
necessita ser reiteradamente cultivado e reforçado com civilidade, respeito às
instituições e àqueles que se dedicam à causa pública. Ausentes essas
deferências constitucionais, as democracias tendem a ruir. Por isso mesmo a
democracia, mais do que uma ideia, é uma prática constante, mais do que um direito,
é um dever compartilhado por todo cidadão e todos os poderes”.

 

Sobrou um recado também aos
colegas de magistratura: “A sociedade não espera de magistrados o comportamento
que é próprio e típico dos atores políticos. O bom juiz tem como predicados a prudência
de ânimos e o silêncio na língua. Sabe seu lugar de fala e seu vocabulário
próprio. Igualmente, o tempo da Justiça não é o tempo da política”, alertou.
“Vigilante para com a democracia e as instituições do país, porém, os juízes
precisam vislumbrar o momento adequado para levantar a voz diante de eventuais
ameaças”, complementou o presidente do Supremo.

 

 

 

 

(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br

 

 

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