|
Segundo a pasta, 20 corpos
foram encaminhados para o Hospital Souza Aguiar, no Centro; outros cinco foram
levados para o Centro de Emergência Regional (CER Ilha do Governador), e um,
para o Hospital Salgado Filho.
O
policial André Frias, 48 anos, baleado na operação, também foi levado para o
Salgado Filho, ainda vivo, mas não resistiu. A Operação Exceptis foi
deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro no último dia 6.
“A direção do Hospital Municipal Souza Aguiar informa que 20
corpos chegaram na unidade no dia 6/5 e foram levados para o IML, onde foi
feita a identificação de cada um. Um outro paciente recebeu alta no mesmo dia.
No Hospital Municipal Salgado Filho, deram entrada quatro pacientes: um chegou
em óbito, André Frias morreu durante o atendimento, e os outros dois deixaram a
unidade. A Coordenação do CER Ilha informa que cinco corpos chegaram à unidade
e foram levados para o IML”, informa, em nota, a secretaria de Saúde.
A Polícia Civil afirmou,
em comunicado, “que o fato de os criminosos chegarem mortos à unidade
hospitalar não quer dizer que não foram resgatados com vida. As mortes podem
ter acontecido no caminho ou na entrada ao hospital”. Ainda de acordo com a
nota, “é possível sim a realização de perícia de local sem os corpos”.
Dos
27 suspeitos mortos, apenas quatro eram alvo da operação. Além disso, dois dos
mortos não tinham qualquer anotação criminal. Tais fatos contradizem a Polícia
Civil, que declarou, na semana passada, que todos morreram em confronto com os
agentes de segurança e tinham antecedentes.
A operação da polícia no Jacarezinho, que teve a participação
de 250 agentes, terminou com a prisão de apenas seis suspeitos, e a apreensão
de 23 armas e 12 granadas.
Nesta
terça-feira (11/5), a força-tarefa criada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para
investigar as circunstâncias da Operação Exceptis,
na comunidade do Jacarezinho, disse que nada ficará fora do crivo dos
promotores. “Se houve execução, vai ser apurado”, garantiu o chefe do grupo, o
promotor André Cardoso.
Decisão do STF
Um dos questionamentos
sobre a operação é que, desde junho do ano passado, o Supremo Tribunal
Federal (STF) suspendeu operações em favelas durante
a pandemia. A decisão permite ações apenas em “hipóteses
absolutamente excepcionais”, após comunicação e justificativa ao Ministério
Público.
O
procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, explicou que, no caso da operação,
antes da sua deflagração, foi feita investigação policial, levada ao promotor
do caso, que fez a denúncia e o juiz decretou as prisões. “Em razão da decisão
do Supremo, a polícia comunica ao MP, mas não há autorização prévia. O exame é
feito depois, para esclarecer”, ressaltou.
Luciano
Mattos enfatizou que as operações não precisam de autorização do MP para serem
realizadas. O procurador-geral, porém, afirmou que, desde a decisão do STF, o
MPRJ abriu 44 investigações para apurar circunstâncias de operações policiais
deflagradas no Rio de Janeiro. Todas ainda estão em fase de análise.
Operação
A Operação Exceptis contou
com a participação de 250 policiais civis e resultou na morte de 27 suspeitos,
dois sem ficha criminal, além do agente André Leonardo Mello
Frias, de 48 anos, na última quinta (6).
Relatório ao qual o Metrópoles teve
acesso após a operação relata o envolvimento da maior parte dos mortos com o
tráfico de drogas, mas não menciona o aliciamento de menores, uma das
justificativas da ação com base em inquérito da Delegacia de Proteção à Criança
e ao Adolescente (DPCA).
O
objetivo era cumprir 21 mandados de prisão e quatro dos 27 mortos eram
indiciados. O relatório também mostra
fotos de homens armados: Isaac Pinheiro Oliveira, conhecido como Pé ou
Perturbado; e Richard Gabriel da Silva Ferreira, o Kako.
Em
audiência de custódia realizada no sábado (8), três presos — Patrick Marcelo da
Silva Francisco, Max Arthur Vasconcelos Souza e Vinicius Pereira da Silva —
contaram que foram agredidos com socos, chutes, pisões e golpes de fuzil.
Na comunidade, uma moradora mostrou a casa cheia de marcas de tiros
depois da ação policial. Outro morador
afirmou que dois jovens desarmados foram executados na casa dele.
A mais letal
A Polícia Civil disse ter
agido legalmente, dentro dos protocolos estabelecidos pelo STF. A operação policial do
Jacarezinho foi a mais letal da história do Rio de Janeiro.
Ao
justificar a operação, a Polícia Civil disse que a facção criminosa que atua na
região age de forma semelhante a grupos terroristas, fazendo até o sequestro de
trens da SuperVia.
Segundo
as investigações, os criminosos têm
“estrutura típica de guerra”, com centenas de “soldados munidos com fuzis,
pistolas, granadas, coletes balísticos, roupas camufladas e todo tipo de
acessórios militares”.
De acordo com a PCRJ, o grupo, considerado um dos quartéis-generais
da facção Comando Vermelho na região, aliciava crianças e adolescentes para a
prática de crimes, como o tráfico de drogas, roubos e homicídios.
(Metrópoles)
www.jornalaguaslindas.com.br
|