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Foi
a primeira divulgação do IPCA compreendendo 12 meses sob influência da
pandemia, decretada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) no dia 11 de março
de 2020.
Com forte influência dos reajustes da
gasolina, o IPCA voltou a acelerar em fevereiro, fechando o mês em 0,86%, ante
0,25% no mês anterior. Segundo o IBGE a maior alta para fevereiro desde 2016.
A
pressão inflacionária tem levado o mercado a constantes revisões de suas
expectativas. Na última divulgação do relatório Focus, do Banco Central, nesta
segunda (8), a projeção para 2020 subiu pela nona semana seguida e chegou a
3,98%, de 3,87% na semana anterior.
Para os próximos meses, a expectativa
é de pressões ainda maiores dos preços da gasolina, item com maior peso na
composição do IPCA, que já foi reajustada nas refinarias seis vezes desde
janeiro. Sem refresco do dólar, itens como os combustíveis devem continuar em
alta.
A
escalada dos preços dos alimentos atingiu em cheio o consumidor já no início da
pandemia, tornando ainda mais difícil a travessia dos meses de isolamento
social e perda de renda provocada pelo fechamento de negócios e aumento do
desemprego.
Em
2020 governo chegou a anunciar medidas para tentar conter a escalada, como a
isenção de impostos para a importação de arroz, mas os impactos foram pequenos.
A alta do custo de vida já se tornou tema de campanhas contra o presidente Jair
Bolsonaro (sem partido) nas redes sociais.
Em fevereiro, o preço dos alimentos e
bebidas subiu 0,27%, ante 1,02% registrados em janeiro, com desaceleração no
custo da alimentação em domicílio (0,28%) devido a quedas nos preços de
produtos como batata-inglesa (-14,70%), tomate (-8,55%), leite longa vida
(-3,30%) e óleo de soja (-3,15%).
“Essa
desaceleração na passagem de janeiro para fevereiro é explicada principalmente
por alguns itens que haviam subido bastante ao longo do ano passado, como o
óleo de soja e o arroz. Por outro lado, as carnes tinham tido uma ligeira
deflação em janeiro, com queda de 0,08%, e agora voltaram a subir”, diz
Kislanov.
A
principal contribuição positiva para o IPCA de fevereiro foi o grupo
transportes, com alta de 2,28%, influenciada pela alta de 7,11% no preço da
gasolina. Já no campo negativo, o maior impacto veio da energia elétrica
(-0,71%), com a manutenção da bandeira amarela na conta de luz.
Com alta de 2,48%, o custo da educação
também teve contribuição importante para elevar a inflação. O maior impacto
veio dos cursos regulares (3,08%), que já costumam ter impacto inflacionário
nesta época do ano, diante dos reajustes anuais.
“Em
fevereiro, nós captamos os reajustes das mensalidades cobradas pelas
instituições de ensino. E além disso, verificamos que em alguns casos houve
retirada de descontos aplicados ao longo do ano passado no contexto de
suspensão das aulas presenciais por conta da pandemia”, disse o gerente do
IBGE.
Com
a inflação em alta, a expectativa do mercado é que o Copom (Comitê de Política
Monetária) do Banco Central eleve a taxa básica de juros na semana que vem, que
está inalterada em 2% ao ano desde agosto de 2020.
(FolhaPress)
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