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O 1º tenente da Polícia
Militar Marlon Jorge Albuquerque teve seu perfil revelado pelo Metrópoles e
também é instrutor de curso de aperfeiçoamento de colegas de farda. Ele prendeu
o professor e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites Leão Leite, de 58 anos,
em Trindade, na região metropolitana, na segunda-feira (31/5).
Tenente
Albuquerque, como é chamado pelo seu nome de guerra, coleciona, em suas redes
sociais, diversas publicações atribuídas a Bolsonaro e críticas a Lula, ao PT e
à esquerda. Ele também aparece na internet em uma foto ao lado do presidente e
se apresenta como judeu.
O portal não conseguiu
localizar o contato de Albuquerque nem da defesa dele. O espaço segue aberto
para manifestação do militar.
Em uma das mais recentes
publicações nas redes sociais, o tenente reproduz parte da declaração do
presidente em manifestação antidemocrática e inconstitucional em Brasília,
contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, realizada no dia 3 de
maio.
Naquele dia, Bolsonaro disse
que as Forças Armadas estão com ele e que “chegou ao limite”, que “não tem mais
conversa” – sem explicitar o que isso significa, e o que pretende fazer em caso
de novas decisões judiciais sobre atos da presidência da República considerados
ilegais.
“O
Poder Executivo está unido (…). O povo está conosco, as FFAA ao lado da lei e
da ordem. Chegamos no limite”, escreveu o oficial da PM goiana, em seu perfil
no Instagram. A identidade completa dele foi confirmada ao portal pela assessoria
de comunicação da PM.
Em 2018, o tenente publicou,
em suas redes sociais, que também tem fotos ao lado de sua família e de
conferências de judeus, críticas ao ex-baixista e ex-vocalista do Pink Floyd
Roger Waters depois de o artista aderir ao #EleNão e incluir Bolsonaro em uma
lista, projetada em seu show, em outubro daquele ano.
“Roger
Water (sic) é nazista, apoia o PT e o Haddad. Você que se diz judeu ainda tem
coragem de apoiar o PT? Isso ocorreu na Alemanha”, escreveu o tenente.
Em outra publicação,
Albuquerque também usou foto e o conhecido jargão do personagem Patrick, do
humorístico Zorra Total, que era encenado pelo ator Rodrigo Fagundes. “Adélio
Bispo de Oliveira – Vulgo Patrick. Olha a faca!”, escreveu o oficial.
O tenente da PM goiana citou
na legenda o nome do responsável pela facada em Bolsonaro, durante a campanha à
presidência da República, em setembro de 2018, e, Juiz de Fora (MG). Ele está
internado compulsoriamente por transtornos mentais.
Em outro post, Albuquerque
equipara a esquerda ao nazista Adolf Hitler e os diferencia em relação a
Bolsonaro: “direita, apoio a Israel, cristão, estado mínimo capitalista, contra
o aborto, cidadãos armados, democracia, liberdade de imprensa, liberdade
individual”, entre outros.
O educador Arquidones Bites
levava em seu carro uma faixa com os dizeres: “Fora Bolsonaro genocida”. Ele
foi parado por uma guarnição de quatro policiais militares na rua e solicitado
a retirar a indumentária do veículo.
De acordo com o tenente
responsável pela abordagem, identificado como Albuquerque, o professor estaria
infringindo a Lei de Segurança Nacional no trecho que proibiria calúnias ao
presidente da República.
Criada pela ditadura
militar, e modificada em 2016, novas mudanças na lei estão em debate no
Congresso e sob avaliação no Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio, a Câmara
aprovou projeto que a revoga, mas ainda falta o Senado decidir sobre o tema.
O Governo de Goiás
confirmou, em nota, que o “policial militar foi afastado de suas funções
operacionais. Ele responderá a inquérito policial e procedimento disciplinar
para apuração de sua conduta”, disse texto assinado pela SSPGO.
“O
governo de Goiás, por meio da Secretaria de Segurança, informa que não coaduna
com qualquer tipo de abuso de autoridade, venha de onde vier. Assim sendo,
todas as condutas que extrapolem os limites da lei são apuradas com o máximo
rigor, independentemente do agente ou da motivação de quem a pratica”, afirmou
a nota.
A Polícia Federal informou,
também por meio de nota, que, após ouvir todos os envolvidos, “entendeu-se não
ter havido transgressão criminal de dispositivo tipificado na Lei de Segurança
Nacional”. Por isso, o professor foi
liberado, ainda na noite de segunda-feira.
Irmão do ex-secretário do
Entorno do Distrito Federal e ex-vereador de Valparaíso de Goiás Arquicelso
Bites, que morreu vítima da Covid-19 em 30/3, Arquidones disse ter tomado um
soco dos policiais que o pararam na rua, em Trindade (GO), na segunda-feira.
Ele protestou em memória do irmão caçula.
“Somos 19 irmãos, veio
morrer justamente o caçula. Ele saiu da ordem”, lamentou Arquidones. “Saiu da
ordem por causa que o presidente da República, esse genocida, não comprou
vacina”, discursou ele, repetindo a frase que
incomodou os PMs goianos, ao sair da Polícia Federal em Goiânia.
Esta é a segunda vez em
quatro dias que a PM de Goiás se envolve em polêmica relacionada à abordagem.
Na sexta-feira (28/5), repercutiu em todo o
Brasil o momento em que uma dupla de policiais aborda um jovem negro em Cidade
Ocidental.
O youtuber Filipe Ferreira
filmava manobras em uma bicicleta para seu canal quando os PMs param a viatura,
apontam as armas e o revistam. Ele disse que foi vítima
de abuso de autoridade.
O titular da SSP, Rodney Miranda, disse ao Metrópoles que
o caso será investigado.
(Metrópoles)
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