Diplomata do MRE perde cargo de confiança acusado de agressão à mulheres

O diplomata Renato de Ávila
Viana, acusado de agredir mulheres, perdeu o cargo de confiança que ocupava no
Ministério das Relações Exteriores (MRE). Saiu nesta quarta-feira (20/12), no
Diário Oficial da União (DOU), a exoneração do servidor da posição de Assessor
Técnico do Gabinete da Subsecretária de África e Oriente Médio do Itamaraty.

Com
salário R$ 23.230,50, ele chegou à prestigiada função de primeiro-secretário.
Viana recebia também um adicional de mais de R$ 3 mil pelo cargo comissionado,
do qual foi retirado após publicação de  seu
histórico de agressões a mulheres.

Atualmente, Renato Viana responde na Justiça
por agredir uma namorada, de 22 anos. Ele agarrou os seios da moça e a deixou
com hematomas pelo corpo, segundo consta na ação judicial. Em outra ocasião, a
atingiu com uma cabeçada, arrancando um dente da frente da moça.

O diplomata já respondeu a três processos administrativos
disciplinares na Corregedoria do Serviço Exterior do MRE, após registros de
ataques a duas mulheres em outros países e a outras duas no Brasil. Em
território estrangeiro, ele desfrutou da imunidade diplomática: as autoridades
locais não puderam investigá-lo, precisando recorrer ao Itamaraty.

Em 2002, um processo
disciplinar investigou agressão do homem a uma terceira-secretária do
Ministério das Relações Exteriores. A ação terminou arquivada com uma observação:
o diplomata deveria controlar suas emoções e impulsos. No ano seguinte, Renato
Viana se envolveu em um caso de violência contra sua namorada brasileira, de
quem recebeu uma facada durante a briga.

Outra sindicância, de 2006,
apurou violência contra uma cidadã paraguaia. Junta médica avaliou Viana e
concluiu que, do ponto de vista neurológico, ele estava apto para exercer suas
funções. A punição foi apenas uma advertência.

Em 2015, a Embaixada do Brasil
em Caracas encaminhou ao MRE denúncia de uma venezuelana que alegava ter
“sofrido ameaças, maltrato psicológico e tentativa de sequestro por parte de
Renato de Ávila Viana”, como consta na sindicância, a vítima enviou uma cópia
da medida cautelar, expedida contra o diplomata pela Divisão de Investigações e
Proteção à Mulher da Venezuela.

A mesma investigação apurou
comportamento violento do brasileiro em um evento no Instituto Cultural
Brasil-Venezuela, quando ele agrediu verbalmente colegas e prestadores de
serviços durante uma festa após um jogo do Brasil da Copa do Mundo de 2014.

O
processo concluiu que não havia provas suficientes para puni-lo sobre a
agressão à venezuelana. O servidor do Itamaraty ficou afastado das funções por
10 dias pelo comportamento inadequado no evento diplomático.

Procurada
pela reportagem, a advogada de Renato de Ávila Viana afirmou que ele estava
viajando e não iria se manifestar.

(Metrópoles/Foto
Rafaela Felicciano-facebook/redação JAL)

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