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Cantor sertanejo e esposa denunciaram que PM os torturou em Senador Canedo

Warley Carvalho relata que foi torturado até
confessar um furto de óleo diesel que não cometeu. O caso é investigado

Arquivo Pessoal

O
cantor sertanejo Warley Carvalho, de 35 anos, denuncia que ele e a esposa Deborah Coelho,
23, foram torturados por um tenente da Polícia Militar e
outros quatro policiais militares após ser acusado de furto de combustível,
crime que ele nega. O artista relata que foi vítima de uma sessão de tortura
dentro da sala de uma transportadora de Senador Canedo, onde prestava serviços,
e obrigado a confessar o delito que não cometeu. A empresa diz que tem provas
do crime.

 

Ao Mais Goiás,
Warley contou que decidiu usar suas economias e, em sociedade com um amigo,
comprar um caminhão próprio para transportar combustível como forma de driblar
a crise no meio artístico imposta pela pandemia. O cantor passou a prestar
serviços para a Transportadora Mundial, de Senador Canedo [veja nota da empresa
ao final da matéria], e levou combustível para diferentes partes de Goiás por
cerca de 20 dias.

 

O
cantor narra que, no dia 30 de agosto, realizou a entrega de diesel numa
propriedade rural de Ipameri. Alguns dias depois, em 3 de setembro, o rapaz diz
que recebeu uma ligação da transportadora solicitando sua presença. Na empresa,
Warley foi informado de que o cliente que recebeu o diesel havia mandado
reclamado da falta de 2 mil litros do combustível na carga entregue.

 

Sessão
de tortura

O
cantor deu sua versão e refutou a hipótese de envolvimento na falta do
combustível, alegando que a entrega havia passado por conferência do cliente.
No entanto, segundo ele, a proprietária da transportadora teria chamado seu
marido, que é tenente da PM, para resolver a situação.

 

Warley
recorda que esperou na empresa e chegou a pensar que poderia esclarecer a
história ao conversar com o policial. No entanto, o rapaz afirma que o tenente
chegou acompanhado de outros quatro policiais que o algemaram e levaram para
uma sala da transportadora, onde uma sessão de tortura teria começado.

 

“Colocaram
um saco na minha cabeça e começaram a me dar murro e pontapé. Fizeram um corte
de quatro centímetros na minha boca. Colocaram um pano no meu rosto e começaram
a jogar água pra me afogar. Ficavam perguntando pra quem eu tinha vendido o
combustível”, relata.

 

Warley
diz que, em um certo ponto, soltou um nome aleatório como resposta para o
interrogatório como tentativa de fazer cessar 
as agressões. Depois disso, segundo o cantor, os policiais encheram
uma jarra com água gelada e jogaram nele para limpar o sangue, além de usar o
utensílio também para bater em seu peito. O rapaz afirma que, depois disso, foi
levado para a Delegacia de Polícia, onde os militares afirmaram que ele havia
sido preso em flagrante por furto, mas havia resistido à prisão.

 

“O
delegado perguntou a eles o que tinha acontecido e disseram que eu tinha
resistido à prisão. Resistir à prisão como, se eu estava algemado e contra
cinco policiais?”, pontua cantor. O artista foi preso, mas solto no mesmo dia
após seu amigo e sócio pagar fiança. “Fui embora todo arrebentado”, relembra.

 

Agressão
ao casal

No
dia seguinte ao ocorrido, Warley afirma que estava determinado a provar sua
inocência. Orientado por um advogado, decidiu ir até a transportadora
acompanhado da esposa, Deborah, para pegar os canhotos dos documentos
referentes à entrega de diesel que ele havia feito. O homem conta que os papéis
são disponibilizados abertamente aos motoristas e ficam numa área externa onde
o acesso é aberto 24h.

 

Ele
diz que pediu para a mulher descer do carro e pegar os documentos. Porém, de
acordo com o cantor, no momento em que Deborah entrava no carro com os canhotos
na mão, a dona da transportadora e o esposo, que estava à paisana, a puxaram
pelo cabelo e a jogaram no chão. Foi quando as agressões teriam recomeçado.

 

“O
militar puxou ela [Deborah] pelo cabelo. Depois de derrubá-la, o policial já
veio na minha direção, com a arma apontada. Quando eu desci do carro, ele tomou
os canhotos da minhão mão e me deu uma coronhada que abriu um corte no meu
rosto”, conta o rapaz, que afirmou que o militar também teria atirado em sua
direção.

 

Segundo
cantor, PM ficou com seu celular

À
reportagem, Warley relata que fugiu do local para chamar a polícia. Neste meio
tempo, o rapaz diz que a esposa foi algemada e torturada pelo tenente, com
socos na boca e no estômago. “Minha esposa é magrinha e ela chegou a vomitar
sangue”, disse o rapaz. O homem também denuncia que o policial teria se
apropriado de seu celular e do aparelho da esposa, exigindo dela a senha de
acesso.

 

No
boletim de ocorrência do dia 4 de setembro consta que o PM identificado como
marido da dona da transportadora prendeu Deborah por tentativa de furtar notas
fiscais da empresa. No registro, o casal também denunciou que teve os dois
celulares furtados pelo policial militar.

 

Segundo
Warley, uma equipe de perícia foi à empresa onde tudo teria acontecido e
conseguiu encontrar sangue do próprio cantor na entrada da transportadora, bem
como a cápsula da bala que teria sido disparada.

 

Além
da corregedoria da PM, o cantor também acionou o Ministério Público de Goiás
(MP-GO) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A Polícia Civil investiga o
caso.

 

Outro lado

Em
nota enviada a um veículo local, a Transportadora Muncial disse que está à
disposição para prestar esclarecimentos e que “tem as provas do furto
ocorrido”. O texto informou ainda que o procedimento judicial encontra-se em
curso e que a empresa tomará as medidas judiciais cabíveis, pois “a realidade
dos fatos está sendo distorcida”.

A reportagem do Mais Goiás entrou
em contato com a Polícia Militar sobre o caso e aguarda um retorno. O portal
não conseguiu contato com o tenente da PM. O espaço permanece aberto.

 

 

 

 

(MaisGoiás) www.jornalaguaslindas.com.br

 

 

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