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Ao Mais Goiás,
Warley contou que decidiu usar suas economias e, em sociedade com um amigo,
comprar um caminhão próprio para transportar combustível como forma de driblar
a crise no meio artístico imposta pela pandemia. O cantor passou a prestar
serviços para a Transportadora Mundial, de Senador Canedo [veja nota da empresa
ao final da matéria], e levou combustível para diferentes partes de Goiás por
cerca de 20 dias.
O
cantor narra que, no dia 30 de agosto, realizou a entrega de diesel numa
propriedade rural de Ipameri. Alguns dias depois, em 3 de setembro, o rapaz diz
que recebeu uma ligação da transportadora solicitando sua presença. Na empresa,
Warley foi informado de que o cliente que recebeu o diesel havia mandado
reclamado da falta de 2 mil litros do combustível na carga entregue.
Sessão
de tortura
O
cantor deu sua versão e refutou a hipótese de envolvimento na falta do
combustível, alegando que a entrega havia passado por conferência do cliente.
No entanto, segundo ele, a proprietária da transportadora teria chamado seu
marido, que é tenente da PM, para resolver a situação.
Warley
recorda que esperou na empresa e chegou a pensar que poderia esclarecer a
história ao conversar com o policial. No entanto, o rapaz afirma que o tenente
chegou acompanhado de outros quatro policiais que o algemaram e levaram para
uma sala da transportadora, onde uma sessão de tortura teria começado.
“Colocaram
um saco na minha cabeça e começaram a me dar murro e pontapé. Fizeram um corte
de quatro centímetros na minha boca. Colocaram um pano no meu rosto e começaram
a jogar água pra me afogar. Ficavam perguntando pra quem eu tinha vendido o
combustível”, relata.
Warley
diz que, em um certo ponto, soltou um nome aleatório como resposta para o
interrogatório como tentativa de fazer cessar as agressões. Depois disso, segundo o cantor, os policiais encheram
uma jarra com água gelada e jogaram nele para limpar o sangue, além de usar o
utensílio também para bater em seu peito. O rapaz afirma que, depois disso, foi
levado para a Delegacia de Polícia, onde os militares afirmaram que ele havia
sido preso em flagrante por furto, mas havia resistido à prisão.
“O
delegado perguntou a eles o que tinha acontecido e disseram que eu tinha
resistido à prisão. Resistir à prisão como, se eu estava algemado e contra
cinco policiais?”, pontua cantor. O artista foi preso, mas solto no mesmo dia
após seu amigo e sócio pagar fiança. “Fui embora todo arrebentado”, relembra.
Agressão
ao casal
No
dia seguinte ao ocorrido, Warley afirma que estava determinado a provar sua
inocência. Orientado por um advogado, decidiu ir até a transportadora
acompanhado da esposa, Deborah, para pegar os canhotos dos documentos
referentes à entrega de diesel que ele havia feito. O homem conta que os papéis
são disponibilizados abertamente aos motoristas e ficam numa área externa onde
o acesso é aberto 24h.
Ele
diz que pediu para a mulher descer do carro e pegar os documentos. Porém, de
acordo com o cantor, no momento em que Deborah entrava no carro com os canhotos
na mão, a dona da transportadora e o esposo, que estava à paisana, a puxaram
pelo cabelo e a jogaram no chão. Foi quando as agressões teriam recomeçado.
“O
militar puxou ela [Deborah] pelo cabelo. Depois de derrubá-la, o policial já
veio na minha direção, com a arma apontada. Quando eu desci do carro, ele tomou
os canhotos da minhão mão e me deu uma coronhada que abriu um corte no meu
rosto”, conta o rapaz, que afirmou que o militar também teria atirado em sua
direção.
Segundo
cantor, PM ficou com seu celular
À
reportagem, Warley relata que fugiu do local para chamar a polícia. Neste meio
tempo, o rapaz diz que a esposa foi algemada e torturada pelo tenente, com
socos na boca e no estômago. “Minha esposa é magrinha e ela chegou a vomitar
sangue”, disse o rapaz. O homem também denuncia que o policial teria se
apropriado de seu celular e do aparelho da esposa, exigindo dela a senha de
acesso.
No
boletim de ocorrência do dia 4 de setembro consta que o PM identificado como
marido da dona da transportadora prendeu Deborah por tentativa de furtar notas
fiscais da empresa. No registro, o casal também denunciou que teve os dois
celulares furtados pelo policial militar.
Segundo
Warley, uma equipe de perícia foi à empresa onde tudo teria acontecido e
conseguiu encontrar sangue do próprio cantor na entrada da transportadora, bem
como a cápsula da bala que teria sido disparada.
Além
da corregedoria da PM, o cantor também acionou o Ministério Público de Goiás
(MP-GO) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A Polícia Civil investiga o
caso.
Outro lado
Em
nota enviada a um veículo local, a Transportadora Muncial disse que está à
disposição para prestar esclarecimentos e que “tem as provas do furto
ocorrido”. O texto informou ainda que o procedimento judicial encontra-se em
curso e que a empresa tomará as medidas judiciais cabíveis, pois “a realidade
dos fatos está sendo distorcida”.
A reportagem do Mais Goiás entrou
em contato com a Polícia Militar sobre o caso e aguarda um retorno. O portal
não conseguiu contato com o tenente da PM. O espaço permanece aberto.
(MaisGoiás) www.jornalaguaslindas.com.br
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