Brasília lidera prejuízos bilionários com quadrilhas

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Centro do poder nacional, o
Distrito Federal é a unidade da Federação que concentra 57,2% – R$ 70,9 bilhões
– dos prejuízos apurados pela Polícia Federal em 2.056 operações que
investigaram organizações criminosas de 2013 a 2017. O mapa do que os especialistas
chamam de máfias revela uma característica desse tipo de crime: a proximidade
com o Estado.

“As
organizações criminosas são sempre parasitárias. Essa, aliás, é uma definição
do juiz italiano Giovanni Falcone”, afirmou o juiz aposentado e estudioso das
organizações mafiosas Wálter Maierovitch. Falcone foi assassinado em 1992, em
Palermo, na Sicília, pela máfia. “Cria-se um estado paralelo, que é aquele que
gruda no Estado, atua ao seu lado. A Odebrecht, por exemplo, agia como uma
organização parasitária.”

Parte
desse protagonismo do Distrito Federal se explica pelo fato de que entre os
inquéritos de 82 operações feitas pela Superintendência Regional da PF na
capital federal estão grandes casos como Greenfield (prejuízo de 53,8 bilhões),
Acrônimo (R$ 5,8 bilhões), Zelotes (R$ 5,4 bilhões) e Janus (R$ 4,3 bilhões).

As
operações apuram desvios de verbas públicas, crimes financeiros de órgãos
públicos e delitos tributários ligados à corrupção de agentes públicos. O
Estado mostrou ontem que o País perdeu, em quatro anos, R$ 123 bilhões em razão
da atuação das organizações criminosas.

Os
investigados também têm relação com o DF. Incluem a elite da política que vive
ou trabalha no Planalto Central, bem como os empresários que por lá circulam. É
por isso que o corretor da bolsa Lúcio Funaro está preso em Brasília e o dono
da JBS, Joesley Batista, também presta depoimentos lá.

Na
lista de políticos, por sua vez, figuram o alto comando de partidos, como o
senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). Outros estão há anos causando polêmicas
em Brasília e não é a primeira vez que têm o nome envolvido em ilícitos. É o
caso do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que estava no primeiro grande escândalo
de corrupção do País após o fim da ditadura: os anões do Orçamento, em que, depois,
foi absolvido.

A Superintendência do Paraná é
a segunda que mais detectou prejuízos causados por organizações criminosas no
País – graças à Lava Jato e ao combate do crime na fronteira com o Paraguai.
Foram R$ 19,4 bilhões, dos quais R$ 13,8 bilhões nas diversas fases da Lava
Jato, e R$ 4,5 bilhões ligados ao contrabando de mercadorias alvo da Operação
Celeno.

O terceiro lugar no ranking é
reservado ao Rio Grande do Sul por causa de duas operações: a Enredados (R$ 5,1
bilhões) e a Huno (R$ 2 bilhões). Em suas duas fases em 2015 e 2016, a
Enredados investigou esquema de propinas no extinto Ministério da Pesca, no
governo Dilma Rousseff, e de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Ao
todo, 90 acusados foram indiciados pelos federais sob a acusação de corrupção e
crimes ambientais – 27 eram funcionários públicos. A Operação Huno investigou o
mercado clandestino de cigarros.

São
Paulo ocupa apenas o quarto lugar neste ranking, com R$ 3,9 bilhões. Muitos dos
Estados com menor quantidade de prejuízos estão em regiões de fronteira, como o
Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul. Outro dado surpreendente é o pequeno papel
da criminalidade comum nos dados da PF. Ali o tráfico de drogas seria
responsável por danos de apenas R$ 76 milhões, enquanto que os ladrões de
banco, que usam explosivos e armas de fogo, teriam causado um prejuízo de R$
125 milhões aos cofres públicos.

Segundo
o sociólogo Guaracy Mingardi, especialista em criminalidade organizada, haveria
uma razão para justificar a disparidade: “É muito mais fácil trabalhar casos
que envolvem empresários e políticos do que os que envolvem traficantes”.

A PF calculou ainda qual o
tamanho do prejuízo evitado pelas operações em cada unidade da Federação. Mais
uma vez, o Distrito Federal lidera, com R$ 45,2 bilhões, dos quais R$ 20
bilhões em apenas uma ação: a Operação Quatro Mãos, que apurou um esquema de
propina denunciado pelo Banco Itaú no Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais (Carf). O segundo maior prejuízo evitado por uma operação foi na
Acrônimo (R$ 12 bilhões).

Também em Brasília estão os
mais altos valores apreendidos e sequestrados – R$ 11 bilhões só durante a
Operação Greenfield. Nessa lista, a Lava Jato ficou em 2.º lugar, com a recuperação
de R$ 5,1 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(conteúdo J.Br/redação JAL)

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