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Bolsonaro recua, desiste de veto a emendas definidas pelo Congresso, mas tira poderes de parlamentares

Na prática, o governo decidiu
permitir que o Congresso tenha mais poder para decidir quais áreas do Orçamento
serão privilegiadas

Foto Fábio Rodrigues Pozzebom

O presidente Jair Bolsonaro decidiu
manter as chamadas emendas de relator na peça orçamentária do ano que vem, ao
contrário do que havia anunciado na semana passada. Ele vetou, contudo, os
mecanismos que permitiam aos parlamentares terem mais poderes sobre a
destinação dos recursos.

 

Nesta segunda-feira, foram publicados
os vetos à LDO (lei de diretrizes orçamentárias). Alegando “motivos de política
fiscal”, o Planalto havia anunciado na sexta-feira que o presidente vetaria a
criação dessas emendas.

Nesta segunda-feira (23), contudo,
divulgou uma nova nota. O texto final dos vetos da LDO foram publicados no
Diário Oficial da União (DOU), e não consta a retirada das emendas de relator.

 

Alvo de questionamento de órgãos de
controle, essas emendas aumentam a fatia do Orçamento nas mãos de
parlamentares. O anúncio do Planalto de Bolsonaro iria vetá-las desagradou
parlamentares, que já se organizavam para a derrubada do veto.

 

Apesar de manter as emendas de
relator, Bolsonaro vetou trecho que dava maiores poderes aos congressistas de
escolherem como os recursos seriam empregados. O presidente também vetou a
obrigatoriedade de o governo liberar o empenho dos valores em 180 dias.

 

Se o trecho fosse mantido, os
ministérios teriam que esperar o comando de parlamentares para saber onde
aplicar os recursos das emendas de relator, que não têm valor definido e nos
últimos anos chegou a cifras maiores que de ministros de Bolsonaro.

 

Com isso, o Executivo perderia ainda
mais poder sobre o Orçamento, pois o Congresso poderia dizer inclusive para
qual cidade o dinheiro iria.

 

Na prática, o governo decidiu permitir
que o Congresso tenha mais poder para decidir quais áreas do Orçamento serão
privilegiadas. Mas quer deixar os ministérios livres para avaliar em quais
projetos e regiões do país investir.

 

Isso, no entanto, mantém margem para
negociação política, como tem sido feito desde que Bolsonaro se alinhou ao
centão.

 

Sem critérios claros de quais
municípios e obras serão contemplados, nem o prazo de liberação da verba, o
governo tem usado o dinheiro das emendas de relator para ampliar sua base de
apoio no Congresso. A data da liberação das emendas e o valor delas viram moeda
de troca nas articulações políticas.

 

O mecanismo para aumentar o controle
do Congresso em relação ao Orçamento vigorou em 2020 e agora em 2021.

 

Ele funciona da seguinte forma: o
relator do Orçamento, que ainda será enviado no fim de agosto, remaneja
despesas de ministérios e passa a prever gastos em áreas e projetos negociados
politicamente por congressistas influentes e, geralmente, mais alinhados ao
governo.

 

Com isso, o Palácio do Planalto tem
ampliado sua base de apoio no Congresso, já que as emendas beneficiam bases
eleitorais de parlamentares, que, por sua vez, esperam aumentar seu capital
político. Isso ganha ainda mais peso em ano eleitoral.

 

O TCU (Tribunal de Contas da União)
quer mais transparência nesses gastos.

 

Para evitar desgaste, governistas
defendiam mudanças nesse mecanismo, pelo qual valores bilionários são rateados
entre vários congressistas a depender dos acordos políticos firmados. Apesar de
ficarem vinculadas ao relator do Orçamento, a negociação envolve dezenas de
congressistas.

 

Com a ampliação dessas emendas
parlamentares, Bolsonaro tem ficado mais desgastado diante de contradições em
relação ao discurso da campanha presidencial, quando atacava esse tipo de
negociação política.

 

 

 

 

(Metrópoles)
www.jornalaguaslindas.com.br

 

 

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