Bolsonaro discursa defendendo marco temporal e ação ambiental do Brasil

Será a terceira vez que o presidente abre o debate
geral. Neste ano, ele deve tentar, novamente, defender programa ambiental do
governo

Foto: Alan Santos

O
presidente 
Jair Bolsonaro (sem partido) fará, nesta terça-feira
(21/9), o discurso de abertura da 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A fala está prevista para ocorrer às 10h, no horário de Brasília.

 

Neste ano, o presidente deve
voltar a tratar da pauta ambiental. Em uma transmissão ao vivo nas redes
sociais na última quinta-feira (16/9), Bolsonaro disse que fará
críticas a uma eventual derrubada do marco temporal na demarcação de terras
indígenas no país
, mas que será um discurso “objetivo e tranquilo”.

 

Desde 1949, cabe
tradicionalmente ao representante brasileiro fazer o discurso de abertura do
debate geral da ONU. Nas últimas sete décadas, chanceleres e presidentes
subiram à tribuna em Nova York para falar em nome do Brasil.

 

Esta será a
terceira vez que Bolsonaro abre o debate geral. Em 2019, o presidente afirmou
que o Brasil tinha “compromisso solene” com a preservação ambiental e defendeu
a soberania na Amazônia.

 

Em 2020, o
mandatário brasileiro, assim como outros chefes de Estado, participou de forma
remota em razão da 
pandemia de coronavírus. Na ocasião, o titular do Planalto disse que o
Brasil era “vítima” de campanha “brutal” de desinformação sobre a Amazônia e o
Pantanal.

 

O Supremo Tribunal Federal
(STF) julga o marco temporal desde o dia 26 de agosto. Pela tese, índios só
podem reivindicar a demarcação de terras já ocupadas por eles antes da data de
promulgação da Constituição de 1988.

 

Na última semana, o ministro Alexandre de
Moraes pediu vista do julgamento
, ou seja, mais tempo para analisar
o processo. Até o momento, o placar está em 1 a 1. O ministro Nunes Marques
apresentou voto favorável à tese, enquanto Edson Fachin, relator do caso, foi
contrário.

 

Na live, Bolsonaro insistiu
na avaliação de que o marco temporal é um “perigo” e um “risco” para a
segurança alimentar nacional e mundial, pois terá impacto direto na inflação
dos alimentos.

 

“O que a gente espera é que
seja mantido esse marco temporal. Na semana que vem, vou estar na ONU,
terça-feira o discurso lá, […] e o que eu devo falar? Algo nessa linha: se o
marco temporal for derrubado, se tivermos que demarcar novas áreas indígenas, e
hoje em dia nós temos aproximadamente 13% do território nacional demarcado como
terra indígena, já consolidado… Caso tenha esse novo marco temporal, essa área
vai dobrar”, assinalou o presidente.

 

As afirmações de Bolsonaro,
contudo, foram contrariadas por cinco economistas ouvidos pelo 
MetrópolesNa avaliação de todos
eles, a relação entre o disparo da inflação e a alteração do marco temporal
“não faz sentido”
.

 

A Assembleia Geral da ONU
deve reunir mais de 100 líderes na sede da organização, em Nova York. O tema do
debate deste ano é “Construindo resiliência por meio da esperança”.

 

Os principais assuntos a
serem tratados são a recuperação sustentável após a pandemia de coronavírus,
a reforma dos sistemas alimentares, o 20º aniversário da adoção da Declaração e
Programa de Ação de Durban sobre o combate global ao racismo e à discriminação,
a eliminação total das armas nucleares, entre outros.

 

Neste ano, o evento será
realizado no modelo híbrido, com participações virtuais, gravadas e
presenciais, diferentemente da edição passada, que foi 100% virtual devido à
pandemia.

 

Na última semana, no
entanto, o presidente do debate geral, Abdulla Shahid, enviou aos
Estados-membros da ONU carta na qual defendia que as autoridades nova-iorquinas
aplicassem as regras impostas aos habitantes da cidade também no prédio da
organização.

 

Em razão da pandemia, o
governo de Nova York exige que frequentadores de centros de convenções
comprovem que foram vacinados contra a Covid-19. Segundo a prefeitura da
cidade, o edifício da ONU se enquadra na definição de um centro de convenções.

 

O secretário-geral da ONU,
Antonio Guterres, disse, no entanto, que não tem como forçar os líderes
mundiais a se imunizarem nem impedi-los de entrar no prédio-sede da organização
em Nova York, tendo em vista que o edifício da instituição é considerado
território internacional.

 

Segundo levantamento feito
pelo Metrópoles, Bolsonaro está entre os 60 chefes de governo dos
países integrantes da ONU que não informaram, oficialmente, se foram vacinados
contra a Covid-19
.

 

O mandatário brasileiro já
está apto a tomar a vacina contra a doença desde abril deste ano, mas vem
afirmando que só fará isso após o último brasileiro ser imunizado.

 

“Todo mundo já tomou vacina
no Brasil? Depois que todo mundo tomar, eu vou decidir meu futuro”, disse o
presidente na quinta-feira (16/9), em uma transmissão pelas redes sociais.

 

 

 

 

 

(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br

 

 

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