Apesar de não crer na possibilidade de um assassino em
série na capital, titular da DIH disse que hipótese deve ser considerada
até que se prove o contrário
Delegado
Murilo Polati: entre as causas das mortes estão motivações passionais e
o uso e o tráfico de drogas | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção/Arquivo
A existência de um assassino em série em Goiânia não foi descartada
pela Polícia Civil neste domingo (3/8), durante entrevista à imprensa. A
possibilidade foi levantada após a circulação de áudio pelo aplicativo
de conversas por celular WhatsApp, em que uma garota alertava para a
atuação de assassino de mulheres em determinados setores da capital em
uma motocicleta e capacete pretos.
Titular da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), o
delegado Murilo Polati afirmou que a polícia tem a convicção de que não é
uma única pessoa que está tirando a vida das vítimas. No entanto,
considerou que não é possível excluir a hipótese até que se comprove
isso.
Relacionados
-
Duas jovens são assassinadas por motoqueiros na noite de domingo, em Goiânia
-
Delegado sugere que serial killer pode ter matado quatro mulheres em Goiânia
-
Jovem comparado com serial killer que estaria em atuação em Goiânia é inocente
-
Caso Isadora Cândido: Secretário Joaquim Mesquita descarta atuação de serial killer
Casos de homicídios contra mulheres jovens em Goiânia em que os
suspeitos teriam características semelhantes foram registrados antes e
depois da divulgação da mensagem de voz. As ações eram parecidas: o
criminoso se aproximava e disparava, matando a vítima sem levar nada.
Contudo, o delegado pontuou que os veículos utilizados são de marcas e
cilindradas diferentes. As descrições físicas também não são as mesmas.
O investigador disse que as mortes podem ter motivações passionais e o
envolvimento com o uso e o tráfico de drogas. Na opinião dele, os
autores podem estar aproveitando dos boatos para agir dessa maneira,
fazendo com que a culpa caia para o suposto assassino em série.
Sem repassar detalhes para não atrapalhar as investigações, Murilo
Polati informou que há dois casos em que já existem mandados de prisão
em aberto contra foragidos. Segundo ele, as apurações são de “extrema
complexidade” e que os resultados dos trabalhos dependem de laudos do
Instituto de Criminalística. Além disso, há as representações da
Justiça, que podem demorar a ser acatadas.
Na tarde do último sábado (2),
uma menor de 14 anos foi morta em um ponto de ônibus no Setor Conjunto
Morada Nova. O crime que tirou a vida de Ana Lídia de Sousa Gomes teve
características parecidas.
Força tarefa
No mesmo dia, o governador Marconi Perillo determinou que a
Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-GO) e a Delegacia Geral
da Polícia Civil montassem uma força-tarefa para dar maior celeridade na
elucidação dos assassinatos contra mulheres em Goiânia. O tucano usou a
rede social Facebook para anunciar a medida.
“Apresento minha solidariedade à família da jovem vitimada hoje
[sábado], bem como das outras famílias atingidas e reafirmo que não
descansaremos enquanto os responsáveis não estiverem na prisão”, postou.
Ele aproveitou para dizer que é preciso dar prioridade para esses
crimes e classificou os episódios como “lamentáveis atos de violência”.
O superintende da Polícia Judiciária da Polícia Civil de Goiás, o
delegado Deusny Aparecido, também participou da entrevista coletiva e
anunciou que delegados do interior do Estado vão reforçar a investigação
de crimes em Goiânia.
Dentre eles, os 29 inquéritos de casos de homicídios contra mulheres
ocorridos desde janeiro de 2014. Porém, não foi informado quantos
investigadores vão auxiliar nas apurações e nem quando a ajuda vai
começar.
Neste ano, foram registrados 40 casos na capital, sendo que 11 foram
solucionados. Na lista, estão inclusos àqueles em que os suspeitos
estavam em motocicletas de cor escura.fonte jornalopção




