O Brasil ocupa a quinta posição no ranking global de
homicídios de mulheres, entre 83 países registrados pela Organização das Nações
Unidas (ONU), atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia
Da Redação do JAL
Em um ato ocorrido nesta segunda-feira (14) no Campus da UnB
em memória da estudante Louise Maria da Silva Ribeiro, 20 anos, assassinada
dentro da própria universidade na quinta-feira (10), alunos, professores e
servidores da Universidade de Brasília (UnB) plantaram um ipê rosa e deram o
nome da estudante a um jardim da Universidade. O episódio marca um despertar
para a questão da violência contra a mulher no Brasil.
O ex-namorado da
jovem, Vinicius Neres, 19 anos, confessou autoria do crime e disse ter dopado a
vítima com clorofórmio. A morte da estudante reforçou o debate sobre violência
doméstica contra a mulher dentro da instituição de ensino.
Segundo o reitor da UnB, Ivan Camargo, a segurança e a iluminação
da universidade serão reforçadas no período noturno para evitar novos crimes
dentro da instituição. “Vamos aumentar as rondas na universidade no período
noturno. No entanto, precisamos levar para sociedade o debate sobre a violência
contra a mulher. Um terço das mulheres agredidas são vítimas de ciúme”, afirmou
o reitor. A estudante também foi homenageada com a plantação de um ipê rosa, no
jardim central do Instituto de Biologia, onde cursava o quarto semestre.
Para a gerente de programas da ONU Mulher, Joana Chagas, o
assassinato da jovem ressalta a necessidade de enfrentamento ao feminicídio.
“Assassinato violento é histórico. É o fim de um ciclo de violência que pode
ser prevenido. Se se reconhece que nossa sociedade é patriarcal, machista, se
pode prevenir esse tipo de crime. O feminicídio é um problema da sociedade como
um todo”, argumentou Joana.
O Brasil ocupa a quinta posição no rankingglobal de
homicídios de mulheres, entre 83 países registrados pela Organização das Nações
Unidas (ONU), atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.
Feminicídio
A estudante Louise Ribeiro foi dopada com clorofórmio e,
depois de inconsciente, Neres a fez ingerir 200 ml do produto químico. O
produto é tóxico e causa morte. Vinicius Neres prendeu os pés e as mãos da
menina e enrolou o corpo dela em um colchão inflável. Ele levou o corpo da
estudante no carro dela e a deixou na mata próxima à universidade. Na manhã do
dia seguinte, Neres foi preso após confessar o crime.
Na mesma semana do assassinato da estudante, outra jovem foi
assassinada em Brasília. Jane Carla Fernandes, que faria 21 anos hoje, foi
baleada na testa e no peito por seu ex-namorado, Jhonatan Pereira Alves,
inconformado com o término do namoro. Depois, ele teria cometido suicídio. Jane
já havia registrado um boletim de ocorrência contra o ex-namorado por agressão,
na Delegacia de Especial de Atendimento a Mulher (DEAM).
De acordo com a organização não governamental (ONG) Action
Aid, a violência doméstica é responsável pela morte de cinco mulheres por hora
no mundo. O dado faz parte do estudo global de crimes das Nações Unidas e
indica um número estimado de 119 mulheres assassinadas diariamente por um
parceiro ou parente.
Com informações da Agência Brasil
