A falta de amor levou Andreas Richthofen para a cracolândia

foto divulgação

Entre os muitos usuários de crack encaminhados para os hospitais

públicos de São Paulo desde que a medida foi tomada pela prefeitura da cidade, Andreas Albert von Richthofen, único irmão de Suzane 

von Richthofen, condenada pelo assassinato dos próprios pais com ajuda do namorado e do cunhado, chamou a atenção da sociedade.

foto: Veja

Andreas tinha 15 anos quando seus pais foram brutalmente mortos 

enquanto dormiam e a descoberta dos autores do crime foi ainda 

mais chocante. Após a enxurrada de descobertas, depoimentos na 

justiça, exposição midiática, sem os pais e com a irmã presa e 

deserdada, Andreas passou a ser o único herdeiro do casal Manfred e Marisia.

Começou assim uma longa disputa judicial para saber quem 

controlaria o dinheiro da família de classe alta paulistana. A Justiça deixou os 

recursos sob administração do tio, o médico Miguel 

Abdalla, que também foi tutor de Andreas até que ele se tornasse 

maior de idade. Ontem, o hospital entrou em contato com a família, mas horas depois nenhum parente havia aparecido para se 

responsabilizar pela internação de Andreas, hoje com 30 anos.

Não é que ele mereça maior comoção e ações mais contundentes 

para pronta recuperação do que todos os outros que estão lá. Mas a 

sua internação é, acima de tudo, representativa. A imagem do 

homem sujo, ferido, com roupas aos frangalhos deve ser pensada 

como um ícone das consequencias danosas, muitas vezes 

irreversíveis, que a desestruturação familiar e o trauma, podem 

causar em uma pessoa.

Andreas veio de uma família financeiramente abastada, frequentou 

as melhores escolas, mas nada disso foi capaz de impedir que ele 

fosse parar na cracolândia. E, assim como ele, muitos outros

moradores de lá também tiveram problemas familiares, a maioria 

deles causados pela pobreza, uso de drogas e falta de oportunidade. Ser rico 

não blindou Andreas da dor e, sem apoio, ele procura a fuga naquilo que seja 

mais rápido e eficaz, o crack.

O apego de Andreas à família é tão visível, que mesmo internado sua única preocupação era a medalhinha onde estava escrito o nome 

Richthofen, retirada para exames. Talvez essa fosse a sua única 

identificação familiar. Quem imaginaria alguém como ele na 

cracolândia? Mas há muitos, muitos Andreas por lá, ricos, pobres, 

 classe média. Hoje se fala muito em novas formações familiares e só tenho a 

aplaudir a aceitação social, mas os velhos problemas da
“família tradicional” não são pensados e discutidos com 

profundidade e a falta de amor ainda é a grande vilã da destruição 

dos laços que envolvem os seres humanos.

(Cintia Lucas)

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