“O ministro Fux desmascarou Alexandre de Moraes”, declarou o pastor Silas Malafaia nesta quarta-feira (7), durante um ato em Brasília que reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Diante de uma multidão de simpatizantes, Malafaia afirmou que a “farsa do golpe” foi desmontada, ao citar supostas declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. Segundo ele, Fux teria reconhecido que não há provas de tentativa de golpe de Estado, de associação armada ou de intenção de abolir o Estado Democrático de Direito.
A declaração tenta criar a imagem de divisão interna no STF, especialmente em oposição ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos ligados aos ataques antidemocráticos. No entanto, não há manifestação pública ou decisão oficial de Fux que contradiga diretamente o entendimento consolidado no Supremo sobre os atos de 8 de janeiro, que já foram qualificados como tentativa de golpe pela Corte.
A mobilização teve o apoio explícito de aliados políticos e religiosos de Jair Bolsonaro, embora o ex-presidente não tenha comparecido pessoalmente. Parlamentares da base bolsonarista, líderes evangélicos e figuras influentes da direita estiveram presentes, reforçando a narrativa de que as condenações seriam “injustas” e “exageradas”.
Malafaia também pressionou o Congresso Nacional a agir. “O julgamento cabe ao Judiciário, mas a anistia é prerrogativa do Legislativo”, disse, cobrando os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a colocarem em pauta o projeto que perdoa os condenados.
A manifestação integra uma estratégia coordenada da ala bolsonarista para reverter politicamente os desdobramentos judiciais dos atos de janeiro, reinterpretando os eventos como meros protestos, e não uma ameaça institucional — uma leitura que contrasta fortemente com as provas reunidas até aqui pelo STF e pela Polícia Federal.da redaçao
- Por: Redação - Valdivino de Oliveira
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