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Três dias depois da prisão, Wassef
anunciou ter deixado a defesa de Flávio no processo apelidado de “rachadinha”,
alegando ser uma tentativa de preservar a imagem a família Bolsonaro. Agora,
diz que nunca saiu do caso propriamente dito, mas apenas de um procedimento
específico na Promotoria.
“Não
é um retorno porque nunca saí”, disse ao jornal Folha de S.Paulo nesta quarta
(24), quando participou de uma solenidade de posse de ministros no Palácio do
Planalto, a convite de Flávio. Para evitar exposição, usou um acesso privativo.
Até então figura constante nos
palácios do Planalto e da Alvorada, Wassef –vaidoso– teve que submergir. No
Rio, foi substituído pelo advogado Rodrigo Roca e sua meia-irmã Luciana Pires,
de quem Wassef já havia discordado, chegando a enviar dura mensagem de voz. Com
a saída de Wassef, Luciana reassumiu a defesa do senador.
Oito
meses após divulgar seu afastamento, Wassef voltou à cena na tarde de
terça-feira (23), quando o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou a quebra
de sigilo bancário e fiscal do senador no âmbito das investigações do caso das
“rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Autor
dos recursos, Wassef não só participou da sessão virtual, como acompanhou
Flávio em entrevistas, muitas dadas em seu celular. Ambos deram declarações,
lado a lado, via FaceTime.
Wassef já havia passado pelo Palácio
do Planalto em novembro de 2020. Segundo relato do jornal Folha de S.Paulo, ele
chegou pelo estacionamento por volta das 17h25, em um carro branco.
Sua
entrada foi permitida pela área de visitantes. Duas pessoas entraram no carro
do advogado, que ficou parado por alguns minutos e partiu. Embora submerso,
interlocutores de Flávio afirmam que o advogado manteve contato com a família
Bolsonaro mesmo nas semanas que sucederam a prisão de Queiroz.
Wassef
se recusa a falar sobre a relação com o presidente da República. Mas confirma
ter preservado “uma relação estável, normal” com Flávio.
Questionado se a sessão de terça-feira
representava um retorno à defesa do senador, Wassef rejeitou a expressão
“retorno”, dizendo ter deixado apenas o PIC (Procedimento Investigatório
Criminal), referente à atuação perante o Ministério Público, no caso das
“rachadinhas”.
“Nunca
deixei de ter qualquer relação com Flávio que sempre tive como seu advogado.
Estive advogando para Flávio desde o dia um e jamais interrompi minhas
atividades.”
Wassef
refere-se a Bolsonaro como um cliente. “Saí [do PIC] porque sabia de antemão
que várias fraudes processuais e armações estavam engendradas para tentar me
atingir e, consequentemente, atingir o Flávio e o presidente.
Como
advogado, pensando no que é melhor para meus clientes, decidi sair para que não
fosse usado para prejudicar tanto o presidente quanto o Flávio”, disse.
Dizendo-se vítima de um massacre dos
opositores do governo Bolsonaro –incluindo aí a imprensa–, Wassef afirma ter
conservado o papel de coordenador da defesa de Flávio no período em que se
afastou publicamente, definindo até mesmo toda a estratégia jurídica do
senador.
“Minha
relação com Flávio continua igual porque continuei sendo o advogado, inclusive
o advogado geral, coordenador de tudo. Estive trabalhando em vários outros
processos. Em Brasília, tudo sou eu. Mesmo no Rio, em outras ações, sou eu, com
procuração. Na consultoria jurídica geral, na coordenação, nas estratégias…
Tudo eu.”
Disposto
a reassumir seu papel, Wassef chega a dar uma cotovelada nos advogados
encarregados do caso no Rio.
“Entrou um colega no Rio para cuidar
do PIC. Esse processo agora praticamente não existe. A continuidade do meu
trabalho simplesmente demonstrou a ilegalidade e a armação naquele processo. De
forma que praticamente não existe mais. Até o colega do Rio vai ficar um pouco
sem trabalho porque vai começar do zero o negócio.””
(Informações FolhaPress) www.jornalaguaslindas.com.br
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