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Logo após o veredicto,
Chauvin foi algemado no tribunal e levado sob custódia pelo Gabinete do Xerife
do Condado de Hennepin. O juiz Peter Cahill disse que “daqui a oito semanas
teremos uma sentença”.
Após três semanas de julgamento, em que os jurados ouviram
mais de 40 testemunhas e revisitaram as imagens e a voz estremecida de Floyd
afirmando que não conseguia respirar, os argumentos finais foram apresentados
ao júri nessa segunda-feira (19/4). O júri é composto por sete mulheres e cinco
homens, sendo seis brancos, quatro negros e duas pessoas multirraciais.
Sob as
acusações de assassinato e homicídio culposo, Chauvin poderia receber até 40
anos de prisão. O júri também poderia optar por condenar ou absolver o policial
de todas ou algumas destas acusações.
Chauvin se declarou inocente de todas as acusações e renunciou ao seu
direito de testemunhar perante os jurados. O advogado de
defesa, Eric Nelson, reiterou que ele havia se comportado como qualquer
“policial razoável”, argumentando que ele seguiu seu treinamento de 19 anos na
força.
A defesa também alegou que
Floyd teria usado drogas antes da ação e que isso teria levado à sua morte.
Foram encontrados traços de metanfetamina e de fentanil (um tipo de opioide) no
corpo de Floyd, e a namorada dele confirmou que o casal era usuário de drogas.
Médicos chamados pelas acusações afirmam, porém, que não há indícios de que
Floyd tenha tido uma overdose.
A morte de Floyd e a revolta
pela matança de pessoas negras nos EUA ficou marcada pelo movimento mundial Black Lives Matter. Com a
condenação de Chauvin, o veredicto pode trazer um alívio ao povo. Já em caso de
uma absolvição, uma nova onda de protestos poderia tomar o território
americano.
A torre
onde fica a sala do tribunal foi cercada por arame farpado, empresas próximas
fecharam suas janelas com tábuas e as escolas públicas vão ter aulas remotas a
partir desta quarta-feira (21/4). Soldados da Guarda Nacional foram enviados,
enquanto veículos militares circulam pela cidade.
O julgamento foi transmitido
ao vivo, algo incomum nos EUA, e mostra a importância do caso em um país onde
homens negros têm cerca de uma chance em 1 mil de serem mortos pela polícia,
segundo uma pesquisa da academia nacional de ciências dos EUA do ano passado.
Os quase nove minutos em que
George Floyd, de 46 anos, implorou pela própria vida jamais sairão da cabeça de
muitas pessoas que viram o vídeo de seu assassinato em frente a uma loja em
Minneapolis, no estado de Minnesota. As imagens gravadas em 25 de maio de 2020
mostram Derek Chauvin ajoelhado no pescoço de Floyd, algemado e totalmente
imobilizado no chão.
Os eventos que levaram a
essa cena fatal começaram cerca de meia hora antes. De acordo com relatos de
várias testemunhas, vídeos e declarações oficiais de autoridades ao longo dos
últimos meses, uma confusão começou com uma denúncia de uso de nota falsa de 20
dólares.
Um relatório policial feito
na noite de 25 de maio aponta que Floyd havia comprado um maço de cigarros na
mercearia Cup Foods, local onde o afroamericano costumava ir.
George
Floyd resistiu ativamente a ser algemado, mas sem sucesso. Detido, ele se
tornou complacente e pediu desculpas repetidas vezes – como mostraram as
imagens das câmeras do corpo dos policiais –, enquanto outro policial dava voz
de prisão por “passar moeda falsificada”.
Quando os policiais tentaram colocar Floyd na viatura, ocorreu
a luta entre os dois. Por volta das 20h14, George Floyd “enrijeceu, caiu no
chão e disse aos policiais que estava claustrofóbico”, de acordo com o
relatório.
Neste
momento, Derek Chauvin chega ao local. Ele e outros policiais se envolvem na
tentativa de colocar o homem na viatura. Às 20h19, Chauvin puxou George Floyd.
Chauvin
colocou o joelho esquerdo entre a cabeça e o pescoço dele. E assim foi por
quase nove minutos. As transcrições das imagens da câmera corporal dos
policiais Lane e J Alexander Kueng mostram Floyd implorando mais de 20 vezes
que não conseguia respirar porque estava contido. Ele também estava implorando
por sua mãe e dizendo “por favor, por favor, por favor”.
Quando engasgou, Floyd ainda disse: “Você vai me matar, cara”.
O ex-policial Chauvin retrucou: “Então pare de falar, pare de gritar. É preciso
muito oxigênio para falar”.
(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br
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