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“Quando eu entrei, existia um clima de
politização e disputa muito grande, era um clima muito tenso. Então eu via que
as coisas que eu falava, elas eram mais usadas do que ouvidas. Então existiu
ali um primeiro momento em que a ideia era só tentar diminuir um pouco a
tensão. Esse momento é o momento em que eu tomo mais um pouco do conhecimento
do dia a dia do ministério”, disse Teich durante depoimento à CPI da Covid.
“Inclusive eu achava que aquelas
coletivas (da Saúde) deveriam ser um pouco mais técnicas no sentido não só de
passar número, mas tentar passar alguma comunicação para sociedade”, disse.
Teich comentou também que não teve
acesso à carta que foi entregue pelo seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, ao
presidente Bolsonaro. Nela, Mandetta alertou o presidente sobre o número de
mortes pela covid-19 que o Brasil alcançaria caso o Planalto não seguisse as
recomendações do Ministério da Saúde – o que ocorreu.
O ex-ministro voltou a dizer que,
quando tomou o posto, assumiu com o entendimento de que sua gestão seria
técnica à frente do ministério. “(Eduardo) Pazuello entrou, mas outras
secretarias tinham sido mantidas no âmbito técnico. A única coisa que tinha
discussão era cloroquina”, disse Teich, que foi questionado ainda sobre a
notória reunião ministerial do dia 22 de abril de 2020, tornada pública após
decisão do Supremo Tribunal Federal.
“E ali eu coloquei o que achava
importante em relação à pandemia, tanto em relação à covid quanto em relação a
não covid, mas aquilo foi uma coisa que ficou, foi falada e depois a reunião seguiu,
então a gente não teve uma discussão”, afirmou.
Ao falar sobre o dilema levantado pelo
presidente, sobre a preservação do ambiente econômico e o combate à covid,
Teich disse que o problema prático foi que a economia foi tratada como
“dinheiro e empresas, e a saúde, como vidas, sofrimento e morte. Mas na
verdade, tudo é gente”. “Quando você fala da economia, você não está falando de
empresa, de emprego, de dinheiro, você está falando de gente”, afirmou Teich.
Nelson Teich, que teve como número 2
durante sua gestão o general Eduardo Pazuello, afirmou à CPI da Covid que,
apesar do nome do general ter sido indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, a
entrada de Pazuello no ministério não foi uma imposição. “Se ele tivesse sido imposto,
eu saía em uma semana, e não em um mês”, disse Teich, que ficou menos de 30
dias no cargo, entre abril e maio do ano passado.
A participação mais expressiva de
militares na gestão da pandemia começou a se consolidar durante os poucos dias
que Teich passou à frente do ministério – uma forma de o governo tutelar os
passos do oncologista.
Ainda respondendo sobre eventuais
interferências externas no Ministério da Saúde durante sua gestão, Teich disse
não se lembrar da presença dos filhos do presidente Bolsonaro em reuniões com
ministros. “Eu tive algumas reuniões com o presidente, mas lembrar da presença
de um deles na reunião eu não lembro, é difícil. Tem um ano também, é difícil
lembrar. Eu nunca me dirigi a eles, eu nunca conversei com eles, nunca discuti
nada com eles. Se eles podiam estar em algum momento fisicamente ali, eles não
tiveram nenhuma interferência em qualquer reunião que eu tivesse feito com o
presidente. Se eles estavam na reunião, não foram pessoas que tiveram alguma
participação ativa, senão eu lembraria”, respondeu Teich.
(O
Estado de S. Paulo) www.jornalaguaslindas.com.br
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