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Compra
e reposição dos animais
É
de grande importância o investimento em animais de reposição com elevado
potencial genético. Esses animais, apesar de possuírem valor elevado no
mercado, responderão de forma mais eficiente à nutrição. O boi magro
corresponde a quase 70% do custo de produção final de um boi gordo. Grande
parte do sucesso financeiro da atividade está na boa compra de animais para
reposição.
Formação
e apartação dos lotes
Lotes
homogêneos, principalmente separando os animais por sexo, padrão racial
(cruzado apartado de nelore) e, se possível, animais com frame semelhante.
Trabalhar com lotes homogêneos possibilita otimizar o custo de utilização das
instalações e reduzir gastos desnecessários com nutrição, sem contar que evita
a necessidade de ficar descascando o lote para o abate e, pior ainda, misturando
lotes para formar um novo. Importante lembrar o conceito da avicultura de
corte: all in all out.
Ou seja, todo mundo entra junto e sai junto.
Estrutura
e maquinário
Uma
estrutura boa é aquela que atende às exigências dos animais e provoca o mínimo
de problemas possível. Assim, trabalhar com cerca de 40cm lineares de cocho por
animal, 15m² por animal para o tamanho da baia, além de bebedouros de alta
vazão, que suportem 50% do consumo da baia nas 2 horas mais quentes do dia. Um
vagão misturador provido de balança faz-se de extrema importância para o
confinamento de alto desempenho. A dieta para o cocho do animal deve ser a mais
fiel possível àquela formulada no computador pelo nutricionista.
Manejo
sanitário
Segundo
os dados de confinamento do prof. Danilo Millen (Unesp Dracena), os principais
problemas que acometem os animais em confinamento são nesta ordem: problemas
respiratórios, acidose, laminite, cisticercose e problemas relacionados ao
transporte. Dessa forma, protocolos de entrada do confinamento – como vacinas
para clostridiose, desverminação e cisticercose – são fundamentais. O animal só
desempenhará bem se o requisito sanidade estiver atendido, além do correto
manejo, que não cause estresse nesses animais, importante fator predisponente
de enfermidades.
Dieta
e processamento dos alimentos
Em
tempos de alta de insumos, é fundamental fazer contas e saber utilizar
determinados subprodutos para abaixar o custo da dieta sem, no entanto, afetar
o desempenho. Isso depende muito de cada região, é claro. Em Goiás, por
exemplo, está cerca de 50% do sorgo plantado no Brasil. É um alimento
energético que, se encontrado em conta, pode substituir o milho. No Mato
Grosso, encontramos caroço de algodão, torta de algodão e subprodutos de
etanol, como DDGS e casca de soja; em São Paulo, há polpa cítrica. A lista é
grande e o ruminante consegue aproveitar boa parte desses subprodutos. Para as
fontes proteicas, procuramos sempre calcular o ponto da proteína, ou seja,
dividimos o valor da tonelada do produto pelo nível de proteína ele possui.
Dessa forma, encontramos o alimento com o quilo da proteína mais em conta. Em
uma época de milho a R$ 90,00 a saca, é cada vez mais importante processar esse
alimento para ter o máximo de aproveitamento pelo animal. Isso ocorre desde
fazer a correta moagem do grão seco até mesmo preparar silagem de grão úmido
(colher o milho com 35% de umidade na lavoura, moer e ensilar esse material). O
processo de fermentação anaeróbica causa solubilização da matriz proteica do
grão, liberando o amido, que ficará mais disponível no rúmen do animal.
Adaptação
dos animais à dieta
Com
certeza, este é um dos pontos mais importantes no confinamento. Estamos tirando
o animal do seu habitat natural (a pastagem, com dieta de alta forragem) e
mudaremos radicalmente sua dieta, sendo a maior parcela de alimentos
concentrados – ao mesmo tempo necessitando ser segura, mas também tem de ser
rápida, para não atrasar o desempenho dos animais. De forma geral, são feitas
três dietas diferentes, entre 5 a 7 dias cada. O volumoso é diminuído enquanto
o nível de concentrado é aumentado, além de adaptar o animal ao consumo de
ureia. Com adaptação bem feita, conseguimos chegar ao consumo alvo por volta do
10° ao 15° dia de cocho, Isso afetará o desempenho pelo resto do confinamento.
Importante lembrar que a adaptação visa não apenas alterar os tipos de micro-organismos
ruminais, mas também o animal, no qual o limitante de consumo passará a ser
energético e não físico, como ocorre no pasto.
Avaliação
do volumoso
Um
ponto que muitos confinamentos negligenciam e acabam errando é a questão do
volumoso. Se trabalhamos com silagem de milho, capim e sorgo, é fundamental
fazer análise bromatológica desse material antes de começar o confinamento.
Dessa forma, a dieta formulada será fiel ao perfil daquele alimento. Além
disso, quando se trabalha com volumosos úmidos, é de suma importância fazer a
checagem periódica do teor de matéria seca desse material. Lembrando que a
dieta é formulada na base seca e ofertada na matéria original. Pequenas
discrepâncias no teor de matéria seca do volumoso podem alterar significativamente
a dieta ofertada.
Tecnologia
de ração de mistura total (TMR)
Um
bom vagão misturador, com balança eletrônica, é fundamental para produzir uma
boa mistura da dieta. Além disso, respeitar a ordem correta de carregamento dos
ingredientes e fazendo pré-mistura (se necessário) para os ingredientes de
baixa inclusão, respeitando o tempo de mistura, são de suma importância para
manter a boa homogeneidade da dieta, sendo a mesma do começo ao fim da
distribuição do vagão.
Manejo
e leitura de cocho
Os
custos de alimentação correspondem a quase 80% dos custos do confinamento. É
fundamental fornecer a quantidade de alimento que o animal necessita, mas com o
mínimo de desperdício possível. Desperdício que começa a ser evitado no correto
armazenamento dos alimentos, na distribuição adequada do alimento nos cochos e
na quantidade adequada. Evitando que esse alimento estrague no cocho, os
animais venham a refugar, necessitando realizar descarte. Uma dieta custa, em
média, R$ 0,80/kg. Pode parecer pouco, mas, se multiplicado pela quantidade de
dias do confinamento e animais, no final o impacto é muito grande. O manejo de
cocho visa reduzir esse desperdício. E a quantidade necessária a ser ofertada
será dita pelos animais. O comportamento ao primeiro trato (leitura noturna) e
a demonstração de saciedade dos animais são pontos chave para esse processo.
Ronda
sanitária
Um
aspecto muito importante no confinamento é avaliar o escore de fezes dos
animais. Esse escore nos diz como está a digestibilidade dos alimentos,
processamento do milho e se a quantidade de fibras na dieta está adequada.
Observando-se o fundo da baia é possível encontrar os animais que estão com
algum problema, seja de locomoção, laminite ou vazio fundo. Animais assim devem
ser identificados e medicados o quanto antes.
Quando
mandar para o abate?
A
grande pergunta no final do confinamento é: quando mandar os animais para o
abate. Muitos confinadores trabalham com o período fixo, planejam para aquela
data e seguem o planejamento, seja 90, 100 ou 120 dias de cocho. Mas alguns
pontos importantes, como a gordura depositada no animal, também são válidos.
Observar base da calda, maça do peito proeminente, gordura nas costelas e
pescoço são indicadores visuais de que o animal está pronto para o abate. Além
disso, a curva de consumo dos animais começa a abaixar, se tornando menos
eficiente o aproveitamento da dieta, devido à maior deposição de gordura nesse
período e à maior exigência de energia para mantença pelo animal. No Brasil,
temos o peso médio de abate de 550kg. Cada vez mais é importante aproveitar o
máximo possível da carcaça desse animal. Abater animais mais pesados é uma das
formas em diluir os custos do boi magro, que são fixos no processo. Dessa
forma, vale a pena fazer conta, avaliar o custo da diária e decidir o melhor
momento de mandar esse animal para o abate. O chamado limite do ponto ótimo de
abate é justamente isso: quando o ganho médio diário de carcaça empata com o
custo da diária.
Pesagem
e embarque
O
momento de pesagem é muito importante, pois é quando um dos principais
indicadores será coletado. Entretanto, exige extremo cuidado da equipe,
evitando danificar ou causar escoriações nesses animais, pois isso será
descartado da carcaça posteriormente no frigorifico.
Equipe
treinada
Por
falar em equipe, todo o processo é desenvolvido e executado por pessoas. Ter
uma equipe competente, comprometida e capacitada faz toda a diferença entre o
sucesso e o fracasso no confinamento. Desenvolver
o olhar crítico no colaborador e ter o senso de dono são valores que devem ser
cultivados na propriedade.
Coleta
de dados
Para
finalizar, necessitamos cada vez mais coletar dados nas fazendas. Como disse
Peter Drucker, o guru da administração, o que pode ser medido pode ser
melhorado. Manter o controle de todas as métricas torna a atividade mais
profissional, permitindo alinhamentos precisos e tomando decisões baseadas em
dados. Dessa forma, saber o consumo de matéria seca em relação a peso corporal,
peso de entrada, peso de saída, ganho médio diário, ganho de carcaça,
rendimento de ganho, rendimento de carcaça, conversão alimentar, eficiência
biológica, custo da @ produzida e custo do operacional são métricas que nos
mostram como o negócio está indo. Uma boa planilha de Excel ou mesmo um
software de gestão de confinamento ajuda nessa tarefa.
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