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Apesar de sentir
no bolso somente no fim do mês, a partir de hoje o usuário vai pagar mais caro
pela conta de luz, conforme anunciou a Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel). Na prática, a cobrança adicional será de R$ 3 para cada 100
quilowatts-hora (kWh) consumidos. Vale lembrar que o reajuste chega depois de
um acréscimo recente nas despesas do brasiliense. No mês passado, a população
pagou R$ 2 a mais para cada 100 kWh de energia e, em outubro passado, ainda
encarou aumento de 3,42% na fatura.
Em agosto, a bandeira tarifária para medir o consumo de energia
elétrica será vermelha, no patamar 1, o que gera o aumento na conta. Em julho,
foi amarela. Como justificativa para o acréscimo, a agência reguladora destacou
o alto custo de produção energética e fez um apelo para que a população adote
consumo consciente no período.
Ainda segundo a
Aneel, um relatório do Programa Mensal de Operação (PMO) do Operador Nacional
do Sistema (ONS) revelou que o valor do kWh na usina térmica mais cara em
operação, a Usina Termelétrica Bahia 1, é de R$ 513,51. “Como o sinal para
consumo é vermelho, os usuários devem intensificar o uso eficiente de energia
elétrica e combater os desperdícios”, acrescentou a agência.
Nas ruas da
capital, o reajuste não foi bem recebido pelos brasilienses. “É revoltante, uma
falta de respeito com o trabalhador. Não sei mais onde economizar para diminuir
minha conta de luz”, afirma a diarista Zenaide Costa, 59 anos, moradora de
Brazlândia. Com a casa sempre cheia – no total, são cinco filhos e três netos –
ela conta que foi pega de surpresa ao saber do acréscimo pela reportagem. “Não
estava preparada para esse gasto extra. Minha conta já vem muito cara todo mês,
cerca de R$ 180, porque o meu consumo é alto ”, completa.
Servente, Maria das Dores dos Santos, 53, compartilha da mesma
opinião. “Soube do aumento pela mídia, mas não quis acreditar que era verdade.
Na minha casa moram apenas quatro pessoas e eu pago R$ 160 de energia todo mês.
É um absurdo isso”, conclui.
O sistema de
bandeiras tarifárias é atualizado mensalmente pela Aneel, que avalia o custo da
energia, o volume de chuvas e a situação dos reservatórios das hidrelétricas em
todo o País. As cores verde, amarela ou vermelha (nos patamares 1 e 2) indicam
se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração de
eletricidade. Bandeira vermelha, no patamar 2, gera acréscimo de R$ 3,50 a cada
100 kWh consumidos.
3 reais é o adicional a cada 100 quilowatts/hora consumidos pelo
usuário brasiliense
7,17%
é o reajuste aplicado pela CEB este ano, acima da inflação
Gerente de uma
loja de departamento na W3 Sul, Fontenelle Frota, 59, também lamenta o
reajuste. Responsável por um estabelecimento de três andares, com cerca de 450
lâmpadas e vários aparelhos, ele conta que o gasto mensal com energia é de R$ 4
mil e teme o aumento na cobrança da próxima fatura.
“Meu gasto já é alto, mesmo fazendo economia. Não há como negar que essa nova
despesa terá impacto dentro da loja”, afirma.
Fontenelle
acrescenta que se sente desrespeitado. “Não vejo melhoria no sistema, nada é
investido. É um absurdo. No meu caso é ainda pior porque não tenho como
economizar pela manhã. Mesmo de dia, tenho que acender as luzes da minha loja e
deixar os aparelhos, como os computadores, por exemplo, funcionando
integralmente”, completa.
Segundo ele, será necessário fazer uma reunião com os
responsáveis pelo comércio para analisar o impacto do aumento no fim do mês. “É
importante ter o controle de qualquer mudança nas despesas, até porque pode
impactar os custos finais”, conclui.
(J.Br/redação
JAL)
