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“O ministro Barroso presta um
desserviço para a população brasileira. Não é uma briga contra o TSE ou STF, é
contra o ministro do Supremo que é presidente do TSE querendo impor a sua
vontade. Nós sabemos quanto Barroso deve para Luiz Inácio Lula da Silva”, disse
a um grupo de apoiadores.
Nos últimos dias, Barroso foi atacado
por Bolsonaro em duas oportunidades. Em um discurso aos manifestantes pró-voto
impresso em Brasília e na solenidade que marcou o lançamento de um programa do
Ministério da Cidadania. Entre outras reclamações, o chefe do Executivo
criticou o presidente do TSE por comparecer ao parlamento para tentar barrar o
avanço do voto impresso.
Nesta terça-feira (3), Bolsonaro
reforçou seu discurso pró-voto impresso, dizendo que as discordâncias entre
eles “não é briga de quem é mais macho”. “Mas não abro mão de mostrar quem
respeita a nossa constituição. O voto tem que ter a contagem pública”,
completou.
Durante a sessão de abertura do
semestre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última segunda-feira (2),
Barroso afirmou que manchar debate público com desinformação é um ato
antidemocrático.
“A ameaça à realização de eleições é
uma conduta antidemocrática. Suprimir direitos é antidemocrática. Conspurcar o
debate público com desinformação, mentiras, ódio e teorias conspiratórias é
conduta antidemocrática. Há coisas erradas acontecendo no país e precisamos
estar alertas. Nós já superamos os ciclos institucionais, mas há retardatários
que querem voltar ao passado”, disse Barroso.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
aprovou, por unanimidade, duas medidas contra o presidente Jair Bolsonaro (sem
partido) após o chefe do Executivo federal disparar uma série de ataques ao
sistema eleitoral imparcial e ameaçar a realização das eleições em 2022.
Os ministros que compõem o TSE
aprovaram de forma unânime uma portaria da Corregedoria-Geral da Justiça
Eleitoral para a instauração de um inquérito administrativo contra o presidente
da República e também pediram para incluir Bolsonaro no inquérito das fake news
que tramita sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal
Federal (STF).
Este inquérito administrativo — que
foi proposto pelo Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral, ministro Luis Felipe
Salomão –, deve analisar se Bolsonaro cometeu os crimes de “abuso do poder
econômico e político, uso indevido dos meios de comunicação social, corrupção,
fraude, condutas vedadas a agentes públicos e propaganda extemporânea” ao
proferir os ataques ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas.
Fontes consultadas pelo analista da
CNN Caio Junqueira afirmam que os inquéritos podem acarretar impugnação ao
eventual registro de candidatura em 2022 e gerar inelegibilidade do presidente.
TSE e partidos defendem urna eletrônica
Em carta divulgada nesta segunda-feira (2), Barroso e todos os ex-presidentes
do TSE desde 1988 defenderam as urnas eletrônicas.
A nota pública afirma que desde 1996 –
quando o sistema eletrônico foi instaurado definitivamente –, “jamais se
documentou qualquer episódio de fraude nas eleições”, e ressalta que as urnas
eletrônicas são auditáveis “em toda a etapa do processo, antes, durante e
depois das eleições”.
Na live da última quinta-feira (29),
Bolsonaro prometeu apresentar provas de que aseleições de 2014 foram fraudadas,
mas o presidente reconheceu não ter provas concretas, apenas indícios. O
documento, protocolado no dia 31 de julho, é assinado por Solidariedade, MDB,
PT, PDT, PSDB, PSOL, REDE, Cidadania, PV, PSTU e PCdoB.
(CNN
Brasil)
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