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| Foto: John Stan |
Glauber Barbosa da Rocha, 42 anos, locatário do
apartamento onde os outros detidos foram encontrados – Bloco B da 208 Norte –,
ficou livre após prestar depoimento e assinar um termo circunstanciado. Negou envolvimento
no crime, além de alegar não conhecer a vítima.
Apenas dois dos três detidos durante a
investigação do latrocínio da jornalista e analista
do Ministério da Cultura (MinC) Maria Vanessa Esteves, na última terça-feira,
continuam presos. Alecsandro Lima, 26, foi encaminhado para a carceragem do
Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil e o adolescente
J.W.P.G., de 15 anos, está sob tutela da Vara de Infância.
Glauber passou no concurso para o MinC em 2010,
mas foi aposentado por invalidez em 2015. O motivo seria esquizofrenia, cujos
sintomas se intensificaram com o uso de drogas. “Uso crack, maconha, cocaína.
Sou total flex”, brinca, ao expor que não vende, mas utiliza os entorpecentes.
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| Foto reprodução |
Tanto Maria
Vanessa quanto Glauber trabalhavam no MinC e faziam pós-graduação na
Universidade de Brasília (UnB). A coincidência levou à indagação de que poderia
haver alguma outra motivação para o crime. “Eu parei de trabalhar em 2014. Fui
para uma clínica e, em 2015, nem estava em Brasília”, afirma. Foi nessa mesma
época que Maria Vanessa começou a trabalhar no ministério. De acordo com a
Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom), essas possíveis conexões
ainda são investigadas.
Foi na tentativa de comprar substâncias ilícitas
que Glauber conheceu Alecsandro Lima e o adolescente de 15 anos que cometeram o
latrocínio – roubo seguido de morte – contra a jornalista. Ele teria chamado os
jovens para ficar na casa dele por um tempo, para depois irem embora. Porém,
segundo o relato dele, os suspeitos não quiseram sair de lá e ameaçaram o homem
com faca diversas vezes. Por medo, ele não os denunciou.
– Por que você acolheu os
envolvidos e os deixou lá?
Glauber: A verdade é que eu
acolhi eles. Eu precisava de droga. Falei: ‘vocês ficam uma semana e depois vão
embora’. Depois disso, já rolou faca. Foi sorte não ter sido agredido. Não os
expulsei porque fiquei com medo de chamar a polícia.
– Eles comentavam sobre os
crimes?
Glauber: Comentavam. Eles
roubavam carros, casas e o diabo. Levavam mochila. Chegavam até com algema. Uma
loucura do c*. Na noite do crime, a gente utilizou crack e maconha,
basicamente. Nem tinha botado muita fé que eles tinham feito isso com a
servidora, até falei isso para o delegado.
– O que você vai fazer agora?
Glauber: Não quero ficar
internado. Fiquei dois anos internado. Meu sangue ficou podre. Quero é estudar.
Gosto da área social. Acabei faltando muito. Mas quero me livrar da droga.
Glauber
admite que foi preso uma vez. De acordo com a Polícia Militar, no mês passado,
o ex-servidor foi detido por dirigir sob efeito de álcool e de entorpecentes,
no Plano Piloto. O apartamento dele estaria sempre cheio de usuários de drogas.
Eles ficam um tempo lá, dormem, depois vão embora, mas nunca sem causar algumas
confusões e pequenos delitos, segundo seus vizinhos.
Uma moradora,
que, por medo, não quis se identificar, reclamou que não tem paz devido à
presença de Glauber e seus companheiros. “Saio de casa sem celular porque tenho
medo”, afirma. Ela diz que no prédio muitas famílias se incomodam com o jeito
que o homem se porta e que seria necessária a saída dele. “Tem dias que acordo
às 3h ou 4h da manhã com ele gritando e esmurrando as paredes”, revela.
O síndico do
condomínio foi procurado para saber se alguma providência será tomada para
amenizar o desconforto dos moradores. No entanto, ele preferiu não prestar
nenhuma informação.
O adolescente
que desferiu o golpe fatal em Maria Vanessa foi apreendido diversas vezes. A
última foi em 28 de julho, na 306 Norte, porque havia um mandado de busca e
apreensão. Só na Asa Norte foram cinco apreensões, maior parte por roubo. O
major Michello Bueno, que participou da penúltima ocorrência, se indignou ao
saber que se tratava do mesmo rapaz: “A lei tinha que ser mais rígida. O
policial se frustra. Somos pressionados pela sociedade a dar mais segurança,
mas nosso trabalho é desfeito”.
Durante a
apresentação dos detidos, o delegado Laércio Rosseto revelou a tranquilidade do
menor ao falar da pena branda que ele sabia que receberia. O adolescente seria
o mais frio da dupla e não apresentava remorso.
O rapaz está
sob os cuidados do setor do Tribunal de Justiça que cuida de adolescentes em
conflito com a lei, onde não deve permanecer por mais de 24 horas. O prazo para
a sentença ser declarada é de 45 dias. Ele pode permanecer recluso por no
máximo três anos.
(J.Br/redação JAL)

