Teste rápido de detecção de HIV estará disponível na cidade em um prazo de 15 dias

foto reprodução Orange Life

 Os brasilienses terão que esperar para ter acesso ao primeiro teste de
farmácia, registrado no Brasil, produzido para detectar HIV. Segundo estimativa
do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Distrito
Federal (Sincofarma), o produto só estará disponível na cidade em um prazo de
15 dias. Chamado de Action, o exame detecta a presença do anticorpo do
vírus HIV a partir da coleta de gotas de sangue e o resultado leva de 15 a
20 minutos para sair.

O teste é composto por um líquido reagente, uma lanceta para furar
o dedo, um sachê de álcool e um capilar (tubinho para coletar o sangue). O
preço deve variar entre R$ 50 e R$ 70. Francisco Messias,
presidente do Sincofarma-DF, explica que o exame foi aprovado pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Porém, o órgão proibiu que o teste seja feito nas farmácias. “O
setor não concorda com essa medida, pois temos profissionais da saúde
trabalhando nas lojas, no caso os farmacêuticos, que estão habilitados para
realizar esse procedimento”, destaca Messias. O Rio de Janeiro foi a primeira
unidade da Federação a receber o produto, já que a fábrica da Orange
Life funciona no estado e tem capacidade para fabricar apenas 100 mil testes
por mês.

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de HIV e Aids de 2016, divulgado
pelo Ministério da Saúde, 18 mil pessoas foram diagnosticadas com HIV no DF no
período de 2010 a 2015. Dessas, 11 mil têm acompanhamento pela rede
pública. Ceilândia, Taguatinga, Águas Claras, Samambaia, Asa Norte e Lago Norte
são as regiões administrativas mais afetadas. Este ano, foram registrados
242 novos casos de HIV.

Portador do vírus, o aposentado Domênico Lopes, 63 anos, acredita que a
chegada do teste vai facilitar a vida das pessoas, já que muitas têm vergonha
de se expor e terão a oportunidade de fazer o exame em casa, de forma
reservada.

Demorei anos para
descobrir que tinha a doença. E durante esse período, mesmo infectado, mantive
relações sexuais com outras pessoas sem proteção. O teste permite reduzir esse
risco”.
Domênico Lopes

A venda do produto vai evitar o que ocorreu no final do ano passado,
quando por falta de reagentes a rede
pública do Distrito Federal deixou de fazer o exame
.

A Anvisa informou que o teste demonstrou sensibilidade e efetividade de 99,9%.
No entanto, só pode indicar a presença do HIV após 30 dias do contato da pessoa
com o vírus. O resultado aparece na forma de linhas que indicam se há ou não
presença do anticorpo do HIV. Caso o teste dê positivo, a pessoa deve procurar
um serviço de saúde. Em caso de resultado negativo, o teste deve ser repetido
após 30 dias para confirmação do resultado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o teste de farmácia traz
mais uma vantagem: a privacidade oferecida deve ampliar o número de pessoas
que, caso contrário, não se testariam. Assim, ele colaborará para que elas não
transmitam o vírus inadvertidamente e busquem tratamento antes de desenvolver a
Aids, que é a doença causada pelo HIV. A instituição também recomenda que as
políticas públicas de saúde sejam adaptadas à nova realidade.

O Ministério da Saúde informou que alguns desses cuidados já estão
sendo tomados. “De acordo com a regra da Anvisa, esse tipo de teste deve trazer
nas suas instruções de uso a indicação de um canal de comunicação para
atendimento dos usuários que funcione 24 horas por dia e o número do Disque
Saúde: 136 para prestar toda a assistência e atendimento aos usuários”,
informou a pasta.

(Metrópoles/redação JAL)

Últimas notícias