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| foto reprodução |
Sob o olhar de 17 vigilantes por
turno e 28 câmeras do circuito interno, um recém-nascido
foi sequestrado, pouco antes do meio-dia, no
Hospital Regional da Asa Norte (Hran), ontem (06/06). A segurança da unidade,
todavia, fica só na aparência. Todos os equipamentos, até mesmo os seis
instalados no segundo andar, de onde a criança com 12 dias de nascida foi
raptada, não estão gravando. A informação foi confirmada pela Secretaria de
Saúde. O cenário, portanto, coloca em prova a proteção de pacientes. Muitos
inclusive reclamam da falta de fiscalização ao entrar e sair.
Durante coletiva de imprensa,
horas após o desaparecimento, a direção do hospital não soube explicar e deixou
a cargo da Polícia Civil uma série de questionamentos. O caso foi registrado na
5ª DP (Área Central), mas será investigado pela Divisão de Repressão a
Sequestros (DRS). O diretor-geral do Hran, José Adorno, relatou que a família
receberia alta hoje. “Fomos noticiados
por uma supervisora de enfermagem que o bebê não estava no leito”, afirmou
Adorno.
O
filho de Sara Maria da Silva, 19 anos, foi raptado no momento em que ela o
deixou no alojamento conjunto – quando ambos dividem o mesmo ambiente – para
participar de uma atividade perto do quarto. A ação era semelhante a um dia de
beleza e durou poucos minutos. Ela mesma deixou o filho no leito. O bebê nasceu
no último dia 25, na Estrutural.
“O caso foi descoberto quando a
equipe foi retirar o acesso venoso da criança para liberá-la no dia seguinte. A
mãe já estava de alta. Diante disso, o bebê, por mais que tenham retirado à
agulha depois do sequestro, pode carregar alguma marca, um sinal ou um roxo, o
que pode auxiliar nas investigações”, acrescentou o diretor.
O diretor do Hran, afirma ainda
que, a mãe dividia o alojamento com outra paciente e mais um bebê. “Depois da ocorrência, o local foi isolado”,
destacou. O diagnóstico com a causa da internação do recém-nascido também foi
preservado pelo hospital.
Questionado sobre a segurança na
instituição, Adorno explicou que “ninguém
entra na maternidade sem ser identificado na portaria central. Além disso,
existe um critério para a saída da unidade. As mães recebem um protocolo quando
os filhos ganham alta e todas as bolsas são verificadas. Apesar do caso, o
restante dos pacientes está em segurança”, garantiu.
No
entanto, o responsável pela unidade afirmou que “de alguma forma, muito disfarçadamente, o sequestrador passou por um
vigilante”. O sequestro não aconteceu durante o horário de visitas – das
15h às 16h.
A principal suspeita é de que a
criança tenha sido levada em uma bolsa por uma mulher ruiva, segundo relatos da
família ao Conselho Tutelar. A Polícia Civil ficou de divulgar um retrato
falado da suposta sequestradora, mas, até o fechamento desta edição, a
identidade dela permanecia reservada.
A
Secretaria de Saúde atribui o problema das câmeras a um contrato barrado pelo
Tribunal de Contas. Em nota, o TCDF informou que, em 2016, fez auditoria e
concluiu que, das 900 câmeras adquiridas pela pasta, apenas 95 foram
instaladas; dos 15 storages previstos para armazenagem de rede, só três foram
configurados; e dos quatro gerenciadores de sistema, apenas um foi configurado.
A conclusão foi que os hospitais não possuíam a estrutura adequada para o
funcionamento completo do monitoramento. No Hran, o sistema nunca operou.
Sara
Maria da Silva sofre de algum problema
psiquiátrico ainda não diagnosticado, conforme
o conselheiro tutelar Djalma Nascimento. Ele compareceu à Delegacia de
Repressão ao Sequestro (DRS), no início da noite de ontem, para entregar a
certidão de nascimento da mulher. Conforme o profissional, o Conselho Tutelar
da Estrutural, onde mora Sara, acompanha o caso, pois, durante o pré-natal, ela
teria informado ter 14 anos.
“Devido à idade, nós passamos a
atuar, mas depois descobrimos que ela era maior de idade. Acreditamos que ela
possa ter alguma coisa, quando você conversa com ela percebe que não parece
alguém da idade dela”, revelou Nascimento.
Ele fez um apelo para o
responsável pelo crime para que devolva a criança o quanto antes, pois a bebê
precisaria de acompanhamento médico. “Ela
precisa ser observada por um profissional. Se você está com ela e não quer se
apresentar, que deixe na delegacia, mas devolva. A mãe está desesperada”,
clamou.
(conteúdo
J.Brs/redação JAL)
