Sagrado Riso visita crianças internadas em hospitais em situações crônicas

Com
recursos do FAC, o grupo Sagrado Riso distrai especialmente crianças, como
Vinicius Belizário, de 9 anos, que se trata há oito meses de leucemia

De nariz
vermelho e com roupas coloridas, os palhaços Piaba Frita e Bocó transformam a
rotina do Hospital da Criança de Brasília José de Alencar em um grande
picadeiro.

O
paciente Vinicius Belizário assiste empolgado à apresentação dos palhaços Piaba
Frita e Bocó. Promovida pelo grupo de circo-teatro Sagrado Riso, a iniciativa
contagia pacientes e funcionários. Com música e improviso, as alas de
internação, de hemodiálise e da fisioterapia ganham um clima mais ameno.

Segundo
Lilian Naves Lopes, psicóloga do hospital, essas práticas lúdicas são de
extrema importância, principalmente na pediatria. “Para a maior parte das crianças, principalmente as que se tratam de
doença crônica, é muito tensa essa rotina hospitalar. Muitas já reconhecem o
caminho e começam a ficar nervosas, a chorar, a passar mal. Ter esse tipo de
atração ajuda a se desligar e a se tranquilizar”,
afirma a psicóloga.

Financiado
pelo 
Fundo de Apoio à Cultura
(FAC)
, no valor de R$ 149.171,67, o projeto tem como principal objetivo
promover, por meio da palhaçaria, a humanização nas unidades hospitalares do
Distrito Federal.

O grupo
também vai aos Hospitais Regionais da Asa Norte (Hran), de Ceilândia e de
Samambaia e interage com todos: pacientes, pessoal da limpeza, médicos e
auxiliares.

De acordo
com a idealizadora, Alessandra Vieira, serão 32 horas de atuação dos palhaços
até 6 de maio. “A ideia é proporcionar o
acesso à cultura, o direito de abstrair e de rir, para enfrentar melhor a
fragilidade na saúde e retomar a qualidade de vida”
, explica. Ela promove
esse tipo de trabalho há dez anos.

 Diagnosticado
com leucemia aos 9 anos, Vinicius Belizário assiste empolgado à apresentação. A
sessão de quimioterapia se transformou em uma novela mexicana com direito a
música ao vivo.

Para o
pai, José Belizário, esses grupos auxiliam muito no tratamento do filho — que
já dura oito meses —, pois servem como distração durante um procedimento tão
invasivo. “As apresentações têm ajudado
bastante, até mesmo a gente, os pais.”

Mãe do
pequeno Lucas, de 3 anos, Luzinete Oliveira dos Santos, também aprova a
iniciativa. “Ele adora, tem vezes que
chora para não ir embora”
, relata. Ela leva o filho ao Hospital da Criança
pelo menos três vezes por semana para fazer hemodiálise. Lucas tem
insuficiência renal crônica, da qual se trata há seis meses.

A
psicóloga Lilian conta que, quando o procedimento é muito longo e exaustivo, os
pais se reconfortam por meio dos filhos. “É
como se, de repente, em algum momento aquilo não existisse. O tratamento sai de
cena, e assume a figura do palhaço ou do músico.”

Para o
ator Gabriel Gonçalves, o palhaço Bocó do grupo Sagrado Riso, “promover sorrisos em um lugar onde se é
puxado para baixo é uma experiência gratificante”
. Ele acrescenta: “Ver a galera sorrindo e, quando você vai
embora, ouvir que querem de novo alegra a gente.”

O projeto
Sagrado Riso

As ações
em hospitais fazem parte das atividades do curso Profissão Palhaço, organizado
pelo coletivo Sagrado Riso em novembro de 2016. De 400 inscritos, que passaram
por uma seleção minuciosa, oito artistas foram escolhidos para compor o elenco
oficial do circo-teatro.

Os
aprovados passaram por uma capacitação para aprofundar as técnicas de
palhaçaria. O processo incluiu também um estágio probatório, em que os
integrantes testaram — e aprenderam — a utilizar a arte clown em ambiente
hospitalar.

“Aprendemos princípios básicos de higienização e
como utilizar isso em cena, como passar o álcool em gel. Não pode ser uma coisa
cotidiana, então brincamos com isso”
, exemplifica Lorena Alves de
Oliveira, conhecida pelo nome artístico de Lorena Aloli ou Piaba Frita.

Para a
atriz, é sempre um aprendizado trabalhar palhaçaria hospitalar. “Exige muita sensibilidade para saber lidar
com improviso. Às vezes eles [os pacientes] têm dor, então é preciso ter muito
jogo de cintura”
. E ensina: “Tem que
ter amor, senão não flui”
.

(Cibele
Moreira/Agência Brasília)

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