Com a saída de Carlos Lupi do comando do Ministério da Previdência Social, o governo Lula sofre mais um abalo político em meio a denúncias de irregularidades na concessão de empréstimos consignados a aposentados, esquema já apelidado de “roubo aos aposentados”. A crise expõe fragilidades na gestão e amplia o desgaste da Esplanada dos Ministérios.
A exoneração, confirmada na última sexta-feira, marca a 11ª mudança ministerial desde o início do mandato e representa a quinta troca apenas em 2025. A queda de Lupi, figura histórica do PDT, ocorre em meio a pressões de aliados e críticas públicas diante das falhas no controle do sistema de crédito consignado — acusado de facilitar o endividamento e o assédio financeiro a beneficiários do INSS.
Além da Previdência, o governo já trocou os titulares de Comunicação Social (Secom), Saúde, Relações Institucionais e Comunicações neste ano. Todas as mudanças seguem o mesmo padrão: substituições internas, sem ampliar o espaço político para o Centrão, frustrando partidos que aguardavam mais influência na segunda metade do mandato.
Nos bastidores, cresce o ruído entre lideranças da base aliada, que veem na reforma “a conta-gotas” uma estratégia de contenção de danos, mas que não resolve os problemas de articulação política nem a crescente insatisfação no Congresso. A esperada troca de Cida Gonçalves, ministra das Mulheres, é apontada como próxima movimentação do xadrez político, mas deve seguir a mesma lógica restritiva.
A crise envolvendo os aposentados, um dos grupos mais sensíveis do eleitorado, coloca pressão direta sobre o Planalto. O escândalo dos consignados soma mais um capítulo à instabilidade ministerial e ao desgaste precoce da imagem do governo.