Policial que atirou em menino consegue habeas corpus

O policial civil do Distrito Federal Sílvio
Moreira Rosa, acusado de atirar em um menino de 6 anos em
janeiro deste ano, conseguiu um habeas corpus e vai responder em liberdade. O
crime teria ocorrido durante uma briga de trânsito, na BR-070, na altura de
Águas Lindas de Goiás.

A decisão foi
proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) após a defesa do
policial pedir a liberdade dele, alegando que já estava detido há mais de 200
dias e que o prazo para a fase de instrução do processo se excedeu. Com base
nisso, o pedido foi aceito e o alvará de soltura foi cumprido no último dia 5.
Sílvio Moreira Rosa, de 55 anos, estava preso desde o dia 6 de janeiro, data em
que ocorreu o crime. Ele responderá por tripla tentativa de homicídio
duplamente qualificada. Ainda não há previsão para o julgamento do caso.

O menino Luís Guilherme ainda enfrenta problemas
em consequência do tiro levado, chegando a passar por mais de uma cirurgia para
reverter as complicações de saúde.

No dia 6 de janeiro, a família do pequeno Luís
Guilherme pegou a BR-070 rumo a Cocalzinho (GO), onde resolveria trâmites de um
imóvel. Eles já tinham visto o carro branco fazendo ultrapassagem perigosa em
uma curva e quase batendo em um caminhão. Em um trecho em obras, onde a pista
deixa de ser dupla, o motorista teria dado várias brecadas. “Eu avisei ao meu
marido que ele devia estar atrás de confusão e que quem faz isso não faz de
peito aberto”, recordou a mulher, que recomendou que se distanciasse.

Segundo a
mãe, o policial tentou ultrapassá-los e chegou a ficar lado a lado na pista,
mas não conseguiu completar a manobra. Pelo retrovisor, viu que o carro estava
chegando muito perto. “Falei ‘acelera, ele deve estar querendo bater’. Calei a
boca e começaram os tiros. Foi muito tiro. Quando eu entendi o que era, pedi
que corresse ainda mais. Gritei para o meu filho tirar o cinto e se esconder atrás
do banco. Quando meu marido o puxou para ajudar, ele já caiu. Meu filho caiu
debruçado, com as costinhas cheias de sangue, roxo e gelado”, lembrou, em
lágrimas.

Só então o
pai da criança teria parado o carro. Enquanto o homem, ajoelhado, se desesperava,
a mãe tentava fazer o menino reagir: “Eu não podia aceitar que meu filho estava
morto. Eu o desvirei, ajeitei na cadeirinha e comecei a fazer massagem. Fiz
massagem com muita força, a cabecinha dele balançava. Ele abriu o olho um pouco
e disse ‘mamãe, eu estou com sono’ e vi que meu filho estava vivo”.

Guilherme
passou por diversas cirurgias e chegou a ficar cinco dias em coma. O menino
sofreu sequelas, mas se recupera bem.

O policial
civil tem seis ocorrências registradas em seu nome na Polícia Civil, entre 2005
e 2015, por briga, ameaça, lesão corporal, injúria e crime sexual. Sílvio
Moreira Rosa começou a carreira em dezembro de 1983 e foi demitido em junho de
2001 por uma tentativa de fraude em aposentadoria. Treze anos depois, foi reintegrado
à corporação por decisão administrativa do então governador Agnelo Queiroz (PT)
no último dia de governo.

(J.Br/Foto:
Jornal do Vale/redação JAL)

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