Polícia Civil do DF indicia casal suspeito de tentar matar filho de 2 meses

Pais de um bebê de dois
meses foram indiciados por tentativa de homicídio ao provocarem uma doença na
criança para obter dinheiro. A Polícia Civil pretende investigar agora se o
casal também induziu a enfermidade em outros fil

A corporação foi
acionada pelo Hospital Universitário de Brasília, onde o bebê foi atendido, e
pelo Conselho Tutelar. O menino estava internado desde 24 de junho com suspeita
de hiperinsulinismo congênito – doença que faz com que o pâncreas produza taxa
elevada de insulina. Mas a suspeita é de que os próprios pais aplicavam
insulina na criança para simular o quadro clínico, o que gerava convulsões.

De acordo com a delegada Ana Cristina Melo Santiago, a equipe
médica alegou que o comportamento do casal era muito suspeito e agressivo todas
as vezes em que eles eram informados de que a medicação seria cortada.

A delegada explica que o quadro apontado pelos exames
laboratoriais não evoluía de forma condizente com o hiperinsulinismo congênito.
“Então, o hospital fez todos os exames necessários para aprofundar a questão”,
detalha. Além disso, as câmeras de segurança flagraram a mãe injetando insulina
no bebê.

O casal mora em Ceilândia – o pai é motoboy de uma farmácia e a
mãe não trabalha. A delegada explica que eles usavam as redes sociais e a
imprensa para divulgar campanhas e arrecadar dinheiro para o tratamento da
doença. “Nós suspeitamos de que a motivação seja financeira. Eles faziam
campanhas no sentido de que não estava sendo oferecida a medicação necessária
por parte do Estado”, destaca a delegada.

Segundo ela, o casal teve seis filhos e dois faleceram com o
mesmo diagnóstico, em 2015 e 2016. Além do bebê, uma filha de seis anos teria
sido vítima da mesma situação. Por determinação da Justiça, a menina foi
internada durante dez dias para que o quadro da doença fosse verificado. Depois
que a medicação foi interrompida, a criança também apresentou melhora nas
crises de convulsão.

Ana Cristina aponta que o Estado também seria lesado: uma ação
dos pais contra o GDF alegava que um dos filhos faleceu por conta da falta da
medicação. Eles ganharam a causa, que pedia indenização por danos morais e
materiais.

A responsável pela investigação relata que benefícios
previdenciários também foram obtidos. Além do diagnóstico de hiperinsulinismo,
a garota de seis anos tem pequeno atraso no desenvolvimento neurocognitivo. Por
causa da doença, ela recebia o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O que a polícia busca entender agora é o que aconteceu com essas
duas crianças que morreram e com a menina de seis anos. “Causa estranheza o
fato de que os outros filhos tiveram o mesmo diagnóstico”, comenta a delegada.

Na semana passada foi oferecida a denúncia à Justiça, e, a
pedido da Polícia Civil, a quebra do sigilo bancário foi deferida. O objetivo é
verificar a movimentação financeira do casal.

O
bebê, a menina de seis anos e os outros dois filhos estão em um abrigo por
determinação da Justiça. “Esse caso é delicado e diferente”, diz a delegada.
Ela reitera que a motivação financeira chama atenção. “A mãe chegou a declarar
que sabia que o filho corria risco de morte. Ela não confessou o porquê, mas
sabia os riscos e estava tranquila”, destaca. Para Ana Cristina Santiago, é
complicado falar que os pais tinham alguma doença psicológica. “‘Patologizar’
tudo não resolve. Eu acredito que exista muita gente mau caráter mesmo”,
afirma.

(J.Br/Foto reprodução/redação JAL)

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