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“Desejo expressar às vítimas a minha
tristeza e minha dor pelos traumas sofridos, e também minha vergonha, nossa
vergonha, pela incapacidade da Igreja durante muito tempo para colocá-las no
centro de suas preocupações”, disse Francisco durante uma audiência geral.
“Rezo e rezamos todos juntos. Tua é
glória, Senhor, e nossa a vergonha. É o momento da vergonha”, insistiu o
pontífice.
Francisco pediu a todos os líderes
religiosos que “sigam adiante com os esforços para que tragédias semelhantes
não voltem a acontecer”.
Também exortou os católicos franceses
a “assumir suas responsabilidades para que a Igreja seja uma casa segura para
todos”.
Um relatório independente publicado na
terça-feira na França afirma que mais de 216.000 menores de idade foram vítimas
de abusos sexuais na Igreja Católica do país desde 1950.
Padres e religiosos abusaram de
216.000 menores entre 1950 e 2020, mas o número alcançaria 330.000 se levados
em consideração os crimes cometidos por laicos que trabalharam em instituições
religiosas, afirmou a Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja
(Ciase) na França.
Na terça-feira, em um comunicado
divulgado pelo Vaticano, o papa já havia expressado “imensa dor”, assim como
“gratidão” às vítimas “por sua coragem para denunciar.
O pontífice argentino transformou a
luta contra as agressões sexuais em uma de suas prioridades e publicou um
manual em 2020 para a gestão de denúncias na Igreja.
Eleito em 2013 para fazer mudanças em
uma Igreja abalada por escândalos, Francisco teve uma série de erros, em
particular durante sua viagem ao Chile no início de 2018, ao questionar as
denúncias contra o padre Fernando Karadima, acusado e condenado por abusos
sexuais.
Batalha para mudar a mentalidade
Depois de reconhecer o erro, Francisco
enviou ao Chile uma missão especial para descobrir a verdade sobre o ocorrido.
Depois, ele ouviu as vítimas dos abusos no Vaticano e em seguida, em um ato
inédito e de grande significado, convocou ao Vaticano todos os bispos chilenos,
que diante dele apresentaram sua renúncia.
Em fevereiro de 2018, o pontífice
convocou os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para uma
reunião inédita sobre a pedofilia e em 2019 retirou o sigilo pontifício para
casos de pedofilia. Uma medida histórica que acabou com uma das principais
desculpas sobre a qual se ergueu o muro do silêncio a respeito dos abusos.
Em junho de 2021 anunciou a reforma do
Código de Direito Canônico e incluiu um artigo que cita a pedofilia e
especificamente os delitos de abusos contra menores cometidos por padres.
Este código, que estará em vigor a
partir de dezembro de 2021, aumenta as penas, amplia os períodos de prescrição
e indeniza as vítimas.
Desde que explodiram os primeiros
escândalos de abusos há mais de 35 anos, a hierarquia da Igreja Católica tomou
uma série de medidas preventivas e também adotou leis, pediu perdão e emitiu
condenações, mas não conseguiu acabar com os abusos nem com a chamada “cultura
de acobertar”, ou seja, a mentalidade de manter tudo em segredo.
(Agence
France-Presse) www.jornalaguaslindas.com.br
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