O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres afirmou nesta terça-feira (8), em depoimento à CPI dos Atos Golpistas, que “sempre atuou de forma técnica” no comando da segurança distrital.
Torres é ouvido como testemunha na CPI, suspeito de colaborar com os golpistas ou se omitir no enfrentamento aos atos de terrorismo que danificaram as sedes dos três poderes em janeiro.
“Sempre atuei de forma técnica e legalista. Quero dizer aos senhores e às senhoras membros desta CPI que estou aqui com espírito cooperativo. Tanto quanto os senhores, tenho todo interesse em esclarecer os lamentáveis fatos do dia 8 de janeiro. Em todos os depoimentos que prestei, sempre me pautei na verdade e me coloquei à disposição das autoridades para cooperar naquilo que estivesse a meu alcance para elucidação dos fatos”, disse Torres.
O político chegou ao Senado por volta das 8h50 e começou a falar pouco depois das 9h40. No fim da noite da segunda (7), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu a Torres a possibilidade de ficar calado diante dos questionamentos.
O roteiro tradicional da CPI prevê que o depoente faça uma fala de abertura de até 15 minutos e, em seguida, responda aos questionamentos dos parlamentares. A relatora da CPI, senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), deve ser a primeira a perguntar.
Durante a sessão, Anderson Torres deverá ser questionado pelos parlamentares sobre diversos assuntos. No dia dos atos golpistas, ele era secretário de Segurança Pública do DF, mas estava viajando para os Estados Unidos.
Nesse contexto, Anderson Torres é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por suposta omissão na montagem do esquema de segurança no dia dos atos golpistas. A CPI já aprovou a quebra dos sigilos dele.
Torres chegou a ficar preso por cerca de quatro meses, mas depois foi solto por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que impôs, no entanto, o uso de tornozeleira eletrônica.
O ex-secretário foi ministro da Justiça durante o governo Jair Bolsonaro e também deverá ser questionado pelos parlamentares sobre um documento encontrado pela Polícia Federal na casa dele que ficou conhecido como “minuta do golpe”.
Nesse documento, havia a decretação de estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a fim de mudar o resultado das eleições presidenciais de 2022, quando Lula (PT) derrotou Bolsonaro.
Anderson Torres já prestou depoimento sobre esse episódio e disse à polícia que o documento não tinha validade jurídica, não tinha importância e deveria ter sido descartado.
Na última sexta-feira (4), a defesa do ex-ministro pediu para que ele possa ficar em silêncio durante seu depoimento à CPI. Torres foi chamado à comissão na condição de testemunha, sendo assim, é obrigado a comparecer e prestar o compromisso de dizer a verdade.
Atos de vandalismo em Brasília
Conforme o requerimento de convocação de Anderson Torres, apresentado pela relatora da CPI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o ex-ministro da Justiça também deverá ser questionado sobre atos de vandalismo em Brasília em 2022 após a vitória de Lula.
Eliziane Gama listou no requerimento os seguintes episódios:
– 12 de dezembro: quando vândalos tentaram invadir a sede da Polícia Federal em Brasília e atearam fogo em carros e ônibus;
– 24 de dezembro: quando um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro colocou uma bomba em um caminhão nos arredores do aeroporto da capital.
g1