Mulher que sequestrou bebê no HRAN permanece presa com base em “periculosidade social”

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Em audiência de custódia na manhã desta quinta-feira (8/6), o juiz
AragonêNunes Fernandes decidiu converter a prisão em flagrante para
preventiva, da estudante de enfermagem 
Gesianna de
Oliveira Alencar
, 25 anos. Na terça (6), a jovem roubou um
recém-nascido de apenas 13 dias no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Gesianna vai voltar para a carceragem do Departamento de Polícia
Especializada (DPE), ao lado do Parque da Cidade, e, nesta sexta (9), será
levada, junto com outros presos, para a Penitenciária Feminina do DF, a
Colmeia.

A decisão de mantê-la presa é do juiz do Núcleo de Audiência de Custódia
do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). “Embora a
autuada seja tecnicamente primária, tenho que a gravidade concreta do caso
espelha a sua periculosidade social”, disse o magistrado, ao justificar a
manutenção da sua prisão.

O juiz diz ainda que a mulher, ao subtrair o bebê de dentro do Hran,
valeu-se “de ardil no intuito de escapar da ação do Estado e de iludir seus
próprios familiares”. “Ademais, ela teria declarado identidade falsa, visando,
novamente, furtar-se à ação das autoridades constituídas”, destaca Aragonê.

“Repito: a gravidade concreta do caso transcende a situação particular,
na medida em que fragiliza a sociedade, em especial, os usuários do sistema
público de saúde, e aqueles que se aproximam do momento do nascimento de seus
filhos. Esse cenário recomenda, neste momento, a custódia cautelar, como forma
de garantir a ordem pública e preservar a instrução criminal”, destaca.

Em outro trecho, o magistrado Aragonê Fernandes determinou que a mulher
passe por avaliação psicológica e psiquiátrica. Na audiência de custódia, o
Ministério Público defendeu que Gesianna aguardasse o julgamento em liberdade,
mas com a imposição de medidas cautelares, como ser proibida de se aproximar da
vítima, de seus familiares e do Hran, bem como comparecer mensalmente em juízo.

O pedido foi negado e a defesa vai entrar com recurso para que Gesianna
seja solta provisoriamente pela Justiça. A partir de agora, o caso, que abalou
Brasília esta semana, vai tramitar na 3ª Vara Criminal do Distrito Federal.

Segundo a advogada Leda Rincon, que defende a estudante de enfermagem, a
acusada acredita que é a mãe verdadeira do bebê. “Quando a encontrei, ela
estava muito abalada e repetia que era a mãe do bebê. Ela não tem noção do que
fez e o que é errado”, ressaltou.

Gesianna foi presa na casa onde mora com a família na manhã desta quarta
(7), na QE 38 do Guará. Durante a audiência de custódia, a mulher foi mantida
algemada. Gesianna foi enquadrada no artigo 237 do Estatuto da Criança e do
Adolescente, por
subtração de incapaz
, com dolo específico. Se condenada, pode pegar
até seis anos de prisão.

Gesianna, segundo o marido e os familiares, perdeu
um bebê com três meses de gestação em 2015. E dizia que estava grávida
novamente. Usava inclusive uma barriga falsa quando foi ao Hran no dia do
crime, na terça-feira (6/6). 
Segundo uma tia, ela fazia pré-natal, mas nunca apresentou exames. A mulher dizia que esperava um menino.

No Hran, escolheu o recém-nascido que estava sozinho na sala 208 do
segundo andar do hospital. A mãe, Sara Maria Alves, 19 anos, havia deixado o
local por uns minutos para participar do “Dia da Beleza”. Pediu para que uma
colega de quarto tomasse conta do bebê.

Quem deu falta da criança foram os enfermeiros, por volta do meio-dia. A
Polícia Militar e os vigilantes percorreram o hospital, mas nada encontraram.
Ainda falta aos investigadores preencherem algumas peças do quebra-cabeça, como
descobrir onde a mulher foi logo após sair do Hran com o bebê dentro da bolsa.

Estudante de
enfermagem, Gesianna, segundo os investigadores, não tem nenhuma relação com a
rede pública de saúde. Os familiares colaboraram com a polícia e se mostraram
surpresos com a atitude da mulher, que sempre saía para as consultas nos
horários em que os parentes estavam trabalhando.

Em depoimento na DRS, nesta quarta, o marido de Gesianna disse que não
mantinha relações sexuais com a esposa havia seis meses. Segundo ele, a mulher
tentava evitar que ele tocasse sua barriga. E quando conseguia, tinha sempre
uma cinta no abdômen da esposa, o que considerava normal, pois algumas grávidas
usam o acessório.

A Polícia Civil não deu detalhes, mas garante que a suspeita do
sequestro do bebê entrou no hospital mediante fraude. Diante disso, o delegado
acredita que houve falha na segurança da unidade de saúde. Para piorar, as 28
câmeras do Hran não gravam imagens. Três testemunhas ajudaram a polícia a
localizar a mulher. 

(Conteúdo Metrópoles/redação
JAL)

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